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quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Greve Acabou. E Agora?

Greve dos Professores 4 014-1
Maria Izabel, a Bebel, Presidente da APEOESP momentos após declarar o fim da greve.
Hoje, 08 de Abril, dia em que completa um mês, a greve dos professores de São Paulo chegou ao fim. Esse desfecho já era esperado, talvez não para hoje, mas a estratégia do governo do estado de não abrir negociação e, pior ainda , sequer reconhecer publicamente a existênca da greve _ no que contou com o apoio dos meios de comunicação _ foi minando aos poucos a adesão dos professores. O lado financeiro também pesou bastante. Quem faz greve não tem salário, mas as contas precisam ser pagas.
Se o fim da greve era uma questão de tempo nada justifica o modo como a APEOESP forjou esse resultado. Digo forjou porque estive lá e acompanhei a forma como a votação foi realizada. Um amigo já havia me alertado sobre o que estava por vir, mas não acreditei que houvesse espaço para manipular os votos de uma assembléia formada por milhares trabalhadores. Fui ingênuo.
A assembléia já começou tensa, com um grupo que faz oposição a atual direção da APEOESP protestando, com seus autofalantes, contra o que eles chamaram de “um jogo de cartas marcadas”. O espaço do vão livre do MASP estava lotado, como das outras vezes, assim como o trecho em frente da av. Paulista no entido Consolação. Embora o número de presentes fosse bem menor em comparação com as mega-assembléias anteriores não era desprezível. Cartazes, faixas e gritos de ordem pediam a continuidade da greve. O que logo chamou a atenção nos discursos foi que todos os representantes da APEOESP se dirigiam apenas à quem estava sob o MASP dando as costas para quem estava na avenida. A fala de todos era a mesma, encerrar a greve para tentar negociar.
Quando chegou a hora de votar pelo encerramento da greve (sim, essa foi a opção colocada), a maioria (na verdade não vi ninguém em contrário) dos que ocupavam a av Paulista permaneceram com seus braços abaixado, mas… Surpresa: Pelo auto-falante ouvimos da presidente da APEOESP que a a Greve estava encerrada pela decisão da maioria. Qual maioria? Bebel e os outros representantes do sindicato levaram em conta apenas os votos de quem estratégicamente foi poscionado sob o vão livre do Masp, ignorando completamente os outros professores, dando-lhes as costas. Depois fiquei sabendo que "essa maioria" pertencia às diretorias regionais contrárias à continuação da greve, os únicos que tiveram ônibus a sua disposição.
A indignação foi geral, mesmo entre aqueles que foram dispostos a votar pelo fim da greve. Houve bate-boca entre professores e até agressões. Algumas bombas chegaram a ser lançadas de um lado contra outro, enquanto os policiais assistiam a tudo com indisfarçável sorriso nos lábios. Sorriso que deve ter aumentado quando alguns professores, assustados pela multidão que cercava a presidente do sindicato, gritaram pela ajuda da polícia, que não chegou a intervir. Deprimente.
Uma nova assembléia foi marcada para 07 de Maio, sexta-feira. Será que mais alguém vai?

11 comentários:

Anônimo disse...

"Quando só se conhece um lado da estória não é possível conhecer a real verdade, quem tem o poder de calar pode determinar e convencer a verdade que lhe convém, procure sempre conhecer a real verdade para escolher em qual das estórias você vai acreditar".

Lucas Santos disse...

José Serra venceu: sim, o sindicato organizou uma greve que visou apenas prejudicá-lo. Agora está mui claro.

Os professores têm de varrer essa direção da Articulação Petista da APEOESP. Eles estão preocupados com o PT, não com os docentes.

Sou simpatizante do PT, mas é vergonhoso o sindicato submeter toda uma classe aos interesses eleitorais do partido.

Que vergonha. O pior é ter de admitir: José Serra ficou com a razão.

Os professores não merecem o sindicato lixo que têm.

Agora faz sentido pq a carreira de professor é uma das menos prestigiadas. Com um sindicato desses aí, vão continuar do jeito que estão.

Terminar uma greve assim, sem ao menos conseguir o diálogo é a prova de que o autoritarismo vale a pena. E o conservadorismo também: vai se criando uma sensação de que toda greve é só "bagunça" momentânea de quem não tem o que fazer.

Parece que a análise que fez o prof. Reinaldo Melo se confirmou completamente:

http://mariafro.com.br/wordpress/?p=1979

Eduardo Prado disse...

Anônimo,

O problema é conhecer a "real verdade". Como diria Nietzsche:"não há fatos, apenas interpretações".

Eduardo Prado disse...

Lucas,

O que aconteceu ontem é realmente vergonhoso e compromete a imagem, já arranhada que a sociedade faz dos professores ( e a que os professores fazem da APEOESP também).

Que a greve TAMBÉM tinha motivações políticas é fato, mas é bom reconhecer que os professores que aderiram a ela não o fizeram por que o sindicato assim determinou, mas porque existiam interesses comuns. Pessoais e políticos. Deflagrar greve é uma decisão coletiva, mas a adesão é individual e tem motivações também individuais: protestar contra o governo Serra, conseguir aumento de salário, garantir estabilidade, etc...

Como eu disse no post, a greve já estava esvaziada a duas semanas. A cada dia mais escolas voltavam a rotina normal de aulas e isso não é só culpa do sindicato, embora não possamos tirar-lhe alguma responsabilidade, sobretudo pela baixa credibilidade junto aos professores. O que eu critico é a forma como a APEOESP usou para terminar a greve, passando por cima de quem enfrentou chuva, transito e grandes distancias para votar pela sua continuidade. A assembléia deveria ser soberana, mas o sindicato demonstrou que para ele não é.

Obrigado pelo comentario,
Abraço!

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Compartilho meus pensamentos sobre a posição do sindicato sobre a greve: http://tsavkko.blogspot.com/2010/04/greve-dos-professores-honra-ante-o.html

Anônimo disse...

Infelizmente os professores foram usados mais uma vez pela direção da Apeoesp que declarou via presidencia que a greve era sim politica e oportunista. Enquanto isto o Congresso está preste a aprovar a PEC 300, que define um salário minimo de 3.500,00 para praças em todo território nacional, isto é 3 vezes mais o piso esbalelecido pelo governo federal para professores. Enquanto não haver uma união nacional com um piso salarial nos moldes do DF media de 5.000,00,iremos ficar refens destes sindicatos que não representa ninguem. Conclamo a todos os professores a votarmos em quem tem compromisso realmente com a educação. e não em partidos ( PT - PSDB, etc ) . Vamos ver o que o proximo presidente(A) da Republica irá fazer para que daqui alguns anos professor seja algo tão raro como honestidade em nossos dirigentes sindicais.

cicero disse...

Oi Eduardo,

A direção do sindicato (Articulação-Artnova-PT e PcdoB) chamava a greve (antecipou inclusive) por interesses eleitorais para fazer campanha para Dilma e desgastar a figura do Serra, não tratou de elaborar ou construir planos de luta para além disso (quando da saída do Serra, etc) e neste um mês foi desarticulando a greve rebaixando nossa pauta para apenas a questão salarial para que saíssemos com alguma migalha negociada. Esta é a forma petista/sindicalista de militar em que atua a direção do sindicato, carros de som onde só falam eles, palanques para discursar e nenhum verdadeiro plano de luta.. Muitos professores que estavam com disposição para lutar contra os ataques do governo Serra, encontram-se hoje cansados e voltaram para a sala de aula desperançosos de qualquer possibilidade de negociação. Sentimento compreensível quando chegamos no 30° dia de greve sem que tivesse um movimento real de greve construído pela base dos professores para que elaborássemos um plano efetivo de luta e pudéssemos triunfar. Esta greve foi encaminhada de maneira superestrutural por parte da direção do sindicato, aonde as assembléias regionais e estaduais são grandes atos aonde apenas a direção e oposição possuem voz, sem nenhuma representatividade da base dos professores. Essa forma de atuar por parte da direção tem como objetivo controlar o movimento dos professores para que não se desenvolva desde a base e alcance uma dimensão política que questione e destitua o poder da direção do sindicato.
Este texto é dos meus companheiros(as) professores, que milito com eles no movimento.
Sua licença para o site: http://www.ler-qi.org/spip.php?article2286

Acabou no que já prevíamos, é claro, inclusive com manobras e golpe em assembléia. Realmente do jeito que levaram e acabou não havia como continuar, a assembléia foi o desfecho deste processo, e o golpe nela arrebenta com tudo.
Lado positivo que vejo: Muitos(as) professores(as) "novos" surgiram na luta, dispostos a lutar e mudar essas coisas, com postura crítica e decidida, coisa que a atitude da direção acaba detonando, mas não podemos deixar isso acontecer, não podemos deixar (lutemos para evitar isso) o desânimo tomar conta e espantar tanta gente que lutou e não merece as traições, derrotas, etc.
Então agora força para construirmos (coisa que a direção já devia ter feito antes) a luta na base, com os pais e alunos (estudantes), e até com outras categorias em luta contra o gov. Serra, como nós da Sabesp, o Metrô, das Universidades Estaduais, etc, chamados estes que cansamos de fazer (inclusive para a oposição de lá) mas os burocratas não fazem isso nem a pau (em 16 anos de tucanato que esles tanto xingam, nunca unificaram as categorias estaduais!), são os principais responsáveis pelo fracionamento e divisão da luta na categoria (que tem efetivos, temporários e precarizados) e sempre isolam estes setores, e de outras categorias.

Um abraço a todos(as) lutadores(as)!

Eduardo Prado disse...

Cícero,

Esse trecho do seu comentário toca num ponto importante, que realmente precisa ser valorizado:

Lado positivo que vejo: Muitos(as) professores(as) "novos" surgiram na luta, dispostos a lutar e mudar essas coisas(...)

A APEOESP se orgulha de dizer que é o "maior sindicato do Brasil", mas do que adiante ser tão grande se não tem credibilidade junto à categoria que representa (e parece até não se preocupar muito com isso)? De que adiante ser o maior sindicato se, como disse o Tsavkko no seu post (link dois comentários acima), preserva o mesmo complexo de vira-latas comum a sindicato menores, segociando sempre por baixo, subservientemente?

Um grande abraço!

Lucas Santos disse...

Eduardo,

Sim, temos que diferenciar: realmente, a greve dos professores não deixa de ser política porque luta contra uma política de sucateamento de um governo neo-liberal.

Mas a visão q tenho do sindicato é que eles usaram a greve com fins eleitorais. Isso é desmoralizante.

Sei que os professores não são culpados. Ao contrário, foram mtu aguerridos. Mas com um sindicato desses aí, sem condições.

Colokei um link no outro comentário, q dá em um texto de um professor que não aderiu a greve justamente por essa questão:

Interesses Políticos da classe X interesses eleitorais do sindicato ligado a um partido.

Enfim, uma greve com meros fins eleitoreiros chega a ser a não-política, pelo menos em relação à Educação de São Paulo. Mais uma vez, não me refiro aos professores, mas ao sindicato.

Vocês tem que tirar essa turma de lá.

Eduardo Prado disse...

Lucas,

Eu concordo com você. A APEOESP, ou melhor, seus dirigentes atuais (e de longa data), são ligados ao PT e "usam", sempre que podem,os professores em benefício do partido. E o resultado disso é péssimo para o professorado e muito ruim também para o próprio sindicato, pois a cada ano ele perde um pouco do que ainda lhe resta de credibilidade junto aos professores.

Eu segui o link para o artigo do prof. Reinaldo Melo. Concordo com ele em aguns pontos, mas discordo bastante de outros, como a não participação, por exemplo, que é uma decisão pessoal, mas também é uma decisão políca que tem reflexo na decisão de outros colegas.

Eu penso o seguinte: a APEOESP não é o sindicato dos meus sonhos, tenho sérias discordancias com relação a ela, mas é o sindicato que temos. Então de duas uma: Ou eu entro no sindicato, participo das suas atividades, procuro conhecer melhor como ele funciona, me aproximo de pessoas lá dentro que pensem como eu, levo para dentro do sindicato pessoas que também pensem como eu e a partir da minha atuação dentro dele procuro torna-lo pelo menos um pouquinho mais próximo daquilo que eu espero dele; ou, não dispondo de tempo, conhecimento, vontade, disposição ou recursos para isso, procuro aproveitar as poucas decisões tomadas pelo sindicato que estejam de acordo com meus interesses. É nesta última que me enquadro. Uma outra alternativa, a pior delas, é deixar o sindicato e seus problemas pra lá e ir cuidar da minha vida, que é o que muita gente faz. E cada vez mais.

Eu estava disposto a me engajar numa greve ano passado, antes que o governo tivesse conseguido aprovar os dispositivos legais que dividem os professores do estado em várias categorias diferentes, mas não houve interesse da APEOESP em construir uma greve naquele momento e menos ainda dos professores. Este ano eu participei porque senti que esta paralização contou com a adesão de muitos colegas, embora soubesse que não era o melhor momento para ela. Mas existe alternativas à greve, as manifestações públicas são uma delas. Aliás acredito que esse é um dos recursos que os professores devem usar nos proximos anos. E de forma permanente, dependendo das políticas educacionais do próximo governador.

Valdecy Alves disse...

Olá!

Amigo blogueiro, veja matéria e fotos sobre a manifestação dos professores de todos os municípios do Ceará, nas ruas de Fortaleza, pelo piso e por um plano de carreira decente, ////acessar em: www.valdecyalves.blogspot.com

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