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  • Conversas de Bar sobre "Cidades":
  • terça-feira, 25 de janeiro de 2011

    Memórias de São Paulo

    2011-01-25 São Paulo Marg
    Hoje, São Paulo completa 457 anos. A cidade foi fundada por padres jesuítas em 1554, no dia dedicado a São Paulo Apóstolo, numa pequena colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú.  O primeiro teve seu curso desviado em 1890 para além do atual  Parque Dom Pedro. Do segundo restou apenas o nome do vale que separa o Centro Velho do Novo. O rio Anhangabaú foi canalizado no início do século XX para a construção do parque do Anhangabaú, uma grande e bela área verde que daria lugar, nos anos 40, a um também grande, mas não tão belo, estacionamento para automóveis. Na década seguinte, nos anos 50, o vale histórico seria reduzido a apenas um trecho da Avenida 23 de Maio. A via expressa ainda está lá, mas desde 1992 passa por debaixo do Vale Anhangabaú, agora transformado, novamente, em praça. Em 2006, prefeitura da cidade manifestou o desejo de devolver a atual praça aos automóveis, por enquanto sem sucesso.
    Largo da Memória 5O Largo da Memória e o Obelisco do Piques

    Até a inauguração da primeira Estação da Luz, a principal porta de entrada para a capital paulista era o Largo do Piques por onde se chegava vindo pelo Vale do Anhangabaú. Ali existia uma "bica d'água" que matava a sede da cidade e das tropas de mulas que chegavam de várias regiões. Devido a importância estratégica do lugar o governo mandou construir ali, em 1814, um chafariz e um monumento, o obelisco do Piques, erguido "Em memória ao zelo do bem público", daí a origem do nome atual do Largo. A história do monumento pode ser encontrada  neste site da prefeitura, o mesmo que convida empresas privadas a adotar o monumento e cuidar da sua manutenção, que aliás, é bem falha. Parece que o zelo pelo bem público ficou apenas na memória.
    Em 1922, em comemoração ao centenário da Independência, o largo da Memória ganhou um charmoso projeto paisagístico com um belo conjunto de escadarias e um painel de azulejos representando a antiga parada de mulas.
    O tempo passou, a cidade continuou crescendo e o Largo da Memória foi ficando esquecido. Passando pelo local não encontrei nenhuma placa que informasse aos poucos transeuntes que estão diante de uma antiga porta de entrada para a cidade e de um monumento erguido há duzentos anos, o primeiro da cidade. Também não há qualquer informação sobre a centenária figueira que existe ao lado do monumento, a arvore também é tombada pelo patrimônio Histórico, mas está igualmente mal cuidada e cercada de lixo.
    Abaixo um vídeo do grupo Rumo cantando ladeira da Memória, produzido no início dos anos 80, quando a Ladeira da Memória ainda era um lugar movimentado.

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    quinta-feira, 27 de maio de 2010

    O Paradoxo da Espera do Ônibus

    Quem depende ou já dependeu de ônibus para voltar para casa tarde da noite já deve ter passado por situação parecida. Só duvido que tenha conseguido filosofar numa hora dessas. Bom, tem gente que consegue.

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    segunda-feira, 17 de maio de 2010

    Virada Cultural 2010 – Tudo ao Mesmo Tempo Agora!

    Virada Cultural 2010 017

    A Virada Cultural é certamente um bom programa, seja para o paulistano seja para o turista. É um raro momento em que a população pode se apropriar do espaço público da metrópole e caminhar pelo Centro histórico sem a sensação de insegurança. Na minha opinião, esse é o maior mérito do evento que acontece uma vez por ano e reúne centenas de atrações culturais durante vinte e quatro horas.
    Virada Cultural 2010 042

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    Virada Cultural 2010 016
    Desde que foi criada em 2005 na gestão de José Serra,
    a Virada Cultural cresceu em orçamento e em público, mas perdeu uma de suas propostas iniciais que era a de fazer a “festa” por toda a cidade. Havia uma concentração de atrações no Centro, mas os bairros, incluindo os da periferia, também contavam com palcos relevantes dentro do cenário artístico paulistano. Porém, ano após ano, as atrações na periferia foram diminuindo e hoje a Virada Cultural é um evento quase exclusivo da região central da cidade, com pouquíssimas opções para quem vive na periferia ou mesmo em bairros mais centrais.
     
    Virada Cultural 2010 043
    Há várias justificativas para isso, como a questão da segurança pública, mas a verdade é que o Centro confere maior visibilidade e dá ao evento um caráter mais grandioso. Há também o discurso de que a Virada contribuiria para a revalorização do Centro, mas isso é só discurso. Quem imagina a região central como um lugar perigoso, abandonado pelo poder público, mal cuidado e sujo não teve muitos motivos para mudar de idéia depois de participar do evento, isto porque, apesar do orçamento milionário, a Virada Cultural não é acompanhada de ações de preservação e de melhorias urbanas. Terminada a festa a região volta ao abandono de sempre.
     
    Não é só geograficamente que a Virada Cultural se afastou da periferia, culturalmente também. O rap e o hip-hop, expressões culturais de grande importância para milhões de jovens da periferia, ficou confinado a um único espaço, afastado dos outros palcos e com poucos convidados. Mesmo o Forró e a Música Sertaneja, bastante populares na cidade, foram mal representados. Neste aspecto ainda falta muito para que a Virada seja um evento realmente democrático.
    Virada Cultural 2010 058
     
    Virada Cultural 2010 059
    A proposta da Virada Cultural é válida e já foi incorporada pelos paulistanos, mas é preciso que a cidade tenha uma politica cultural que vá além dela. Será que vale a pena concentrar grande parte do orçamento municipal destinado para o fomento da cultura num único dia do ano deixando parcos recursos para os outros 364 dias?

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    sábado, 8 de maio de 2010

    O Destino do Elevado Costa e Silva.

    Minhocão  Satirianas 066
    Veja galeria de fotos aqui.
    Há 39 anos este colosso em concreto armado é um monumento ao que não se deve fazer a uma cidade. Inaugurado em 1971 para resolver os problemas de ligação entre as Zonas Leste e Oeste da Capital, o Elevado Costa e Silva acelerou a degradação do Centro, desvalorizou os imóveis do entorno e ,além de não ter nehum atrativo arquitetônico, ainda escondeu o que restava de elegancia nas avenidas São João e Pacaembú. A região só não é mais sombria graças aos grafites que enfeitam suas colunas, _  mas até os grafiteiros têm rareado suas intervenções no local, tamanho é o descaso do poder público.
    Vários urbanistas e prefeitos já demonstraram interesse na sua demolição, solução que esbarra num problema: Como botar o Elevado abaixo sem agravar o já caótico trânsito de São Paulo? O atual prefeito, Gilberto Kassab, diz ter a resposta. Trata-se da Operação Urbana Brás/Lapa, antiga região industrial da cidade cortada pelos trilhos da CPTM, hoje esvaziada e subaproveitada. A linha férrea seria enterrada abrindo espaço na superfície para uma grande avenida que receberia com folga o fluxo do elevado. A idéia parece boa, mas é só uma idéia, não há nehum estudo sério sendo realizado neste sentido. Mas demolir seria a melhor alternativa?

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    terça-feira, 13 de abril de 2010

    Memória: Antiga Rodoviária de São Paulo

    Chafariz na área de EmbarqueChafariz Rodoviária Antiga
    Origem da foto: Ônibus Brasil.com

    A gente chegou? A resposta positiva depois de uma viagem que parecia não ter fim era recebida com alívio e excitação por quem repetia essa mesma pergunta a cada parada. Uma curta caminhada entre bolsas e malas, por um corredor de espelhos onde ambulantes fantasiados de palhaço vendiam balões enormes, bonecos, marionetes e a tabuada, num livrinho pareciado com literatura de cordél, dava acesso a um ambiente que sempre me surpreendia. Tevês à cores pendiam nas colunas, pastilhas coloridas brilhavam nas paredes e no piso. No teto, a explosão de cores e formas geométricas da cobertura de aço e acrílico disputava a atenção com todo o resto.  Abaixo dessa cobertura, uma multidão.

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    segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

    São Paulo: 456 Anos

     Minhocão  Satirianas 085
    Há 456 anos alguns padres jesuítas acompanhados por poucos colonos portugueses e alguns indígenas fundaram a Vila de São Paulo de Piratininga, que séculos mais tarde, seria uma das maiores metrópoles do mundo. Mas a verdade é que por mais de 350 anos ela não passou de uma pequena vila que devia sua importância mais à localização estratégica _ a vila era a porta de entrada para o sertão _, que pela sua economia.

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    sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

    Chovendo No Molhado

    Foto0092

    Esta semana não foi fácil para quem vive em São Paulo. As chuvas não deram trégua. Provocaram alagamentos, deslizamentos de terra e, infelizmente, mortes. Nos noticiários as imagens dos congestionamentos, de rios e córregos transbordados, das famílias que perderam tudo e das dramáticas cenas de resgate são apresentadas como fatalidades. Idéia reforçada por jornalistas do “tempo” munidos de mapas e gráficos tentando explicar o que ou qual fenômeno causou tanta destruição, ou com prefeito e governador jogando a culpa na chuva, na população e no crescimento desordenado da cidade. Fatalidade?  São imagens de tragédias anunciadas e, por que não dizer, esperadas, que se repetem todos os anos.

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    terça-feira, 5 de janeiro de 2010

    Promessa de Campanha é Dívida. Mas Quem paga?

    Aumento Tarifa 2

    O prefeito Gilberto Kassab mostrou ser um homem de palavra. Pelo menos no que diz respeito a uma de suas promessas de campanha. Na ocasião prometeu, se eleito, manter a tarifa do ônibus em R$2,30 por dois anos. Levou a prefeitura e, como promessa é dívida _  neste caso a dívida foi com os empresários do setor _ os 7 milhões de paulistanos que utilizam o transporte coletivo todos os dias tiveram que pagá-la hoje com um reajuste de 17,4%, bem acima da inflação. É a tarifa mais cara do Brasil!
    A manutenção do preço da passagem não foi resultado de uma política séria para o transporte coletivo e sim um acordo de conveniência entre o PSDB/DEMO e os empresários, dispostos a fazer qualquer concessão a permitir mais um mandato à Marta Suplicy, para quem o interesse da população esteve acima do interesse das empresas.
    Esse acordo saiu caro para a prefeitura _ que desembolsou, só em 2009, quase quatrocentos milhões de Reais em subsídios para o transporte público _ e, mais ainda, para os usuários. Apesar de todo esse montante doado às empresas, o serviço só fez piorar. Quem utiliza ônibus, principalmente na periferia _ como os passageiros do coletivo superlotado da foto acima _ sentiu na pele os efeitos daquilo a prefeitura chama de “adequação à demanda”, que na prática significa a extinção de linhas e a redução da frota em circulação.
    O resultado é que as ruas se enchem de carros, áreas verdes dão lugar a estacionamentos, vias marginais avançam sobre os rios que, quando chove, avançam sobre a cidade, enquanto os congestionamentos ultrapassam, há tempos, o limite do tolerável. Esse é o preço que a sociedade paga pelas escolhas que faz. Pensando bem, o preço é alto demais.

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    segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

    Destruição

    Antes e Depois

    O rio Paraitinga aos poucos retorna ao seu leito natural deixando para traz uma paisagem de destruição. Olhando as duas fotos acima é difícil acreditar que  são do mesmo lugar. A foto do alto foi tirada em 2006, durante minha passagem pela cidade. Nela pode-se ver a praça da Igreja Matriz e o casario do século XIX que a cerca. É possível ainda ver um filete do rio Paraitinga ao fundo à direita, entre a vegetação e os telhados dos casarões. Abaixo a imagem da mesma praça registrada pelo helicóptero de  uma emissora de TV. Onde antes se erguia o imponte conjunto arquitetônico formado pela Igreja e os sobrados dos tempos do café, agora há só escombros.
    São Luiz do Paraitinga perdeu 80% do Centro Histórico. Algumas construções que resistiram a força das águas estão condenadas, pois a maioria é construída em taipa, ou seja, de barro; É o caso do sobrado amarelo, assinalado com um X vermelho, que pode ser visto nas duas fotos. Diante dele a praça em ruinas.
    Ainda é cedo para saber o que pode ser recuperado e como esse trabalho poderá ser feito. A julgar pelos primeiros pronunciamentos da prefeita de São Luiz e do governador José Serra, ambos do PSDB, a idéia é reconstruir a cidade da mesma maneira como ele era antes. Esse parece ser o desejo dos luizenses. E meu também.  Que assim seja.

    São Luiz do Paraitinga Pede Socorro
    São Luiz do Paraitinga Pede Socorro II

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    domingo, 3 de janeiro de 2010

    São Luiz do Paraitinga Pede Socorro - II

    Patrimônio 1
    São Luiz do Paraitinga Pede Socorro I
    São luiz do Paraitinga: Destruição

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    São Luiz de Paraitinga Pede Socorro!

    São Luiz do Paraitinga

    A bela e acolhedora São Luiz do Paraitinga (sites 1 e 2), onde nasceu o médico e sanitarista Oswaldo Cruz, cidade das ladeiras, dos calçamentos de pedras assentadas por escravos, da festa do Saci e do Carnaval (que eu tive a oportunidade de conhecer em 2006 quando tirei as fotos acima) foi duramente castigada pelas chuvas que caem desde o dia 1º.
    A situação da cidade é dramática. A igreja Matriz (no centro e abaixo, à direita), construída no século XIX; a capela das Mercês (na cor amarela, à direita) de meados do século XVIII e outros cinco casarões, patrimônios Históricos de valor inestimável, desabaram (vídeo 1) sob a força das águas (vídeo 2). O Rio Paraitinga, que corta a cidade (abaixo à esquerda na foto), subiu mais de dez metros, inundando a maior parte do centro histórico, formado por construções seculares, e desabrigando praticamente todos os moradores. Pior que a perda de um patrimônio histórico é a perda de vidas humanas e o sofrimento dos desabrigados. Municípios próximos como Cunha _ também uma cidade turística  _ , e Taubaté estão em estado de calamidade pública.
    A Defesa Civil montou postos para a arrecadação de alimentos, colchões, agasalhos, lanternas, fósforos e principalmente água no Parque Jardim das Nações, na Rua Espanha, s/nº, em Taubaté. Uma rede de solidariedade também se espalhou entre os internautas através do Twitter  (uma delas aqui), onde é possível conseguir informação sobre como ajudar e acompanhar os trabalhos de resgate.


    São Luiz do Paraitinga Pede Socorro II
    São Luiz do Paraitinga: Destruição

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    sábado, 16 de maio de 2009

    O Dia Em Que São Paulo Parou

    Ataque PCC

    “Mas eis que de repente, foi dado um alerta
    Ninguém saía de casa e as ruas
    ficaram desertas”

    Trecho de Cinca Chambord do Camisa de Vênus

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    Há três anos, uma onda de atentados a ônibus, bancos e postos policiais parou a cidade de São Paulo. Era 15 de Maio de 2006, uma Segunda-feira, dia útil.
    Como fazia toda manhã, neste dia também acordei cedo e fui trabalhar. Nas ruas quase nenhum carro, nas calçadas, ninguém. A loja abriu normalmente às 8 horas da manhã, a padaria e o bar ao lado já estavam abertos, mas não havia clientes. Às nove abriram os mercados e outras lojas, mas o transporte coletivo não estava circulando. Ás 10 horas alguns passantes vieram avisar que o comércio estava fechando. Ninguém mandou fechar, mas havia muitos boatos e a polícia desapareceu. Meu gerente tentou ligar para o 190 para saber se seria seguro manter a loja aberta. Em vão. Na linha só o sinal de ocupado.
    Perto do Meio-dia mais lojas haviam fechado. Sem polícia, a quem recorrer se algo pior acontecer? Antes da 1h da tarde a loja fechou. Todas fecharam.
    Em casa, diante da TV, era difícil acreditar no que estava acontecendo. A metrópole de 20 milhões de habitantes estava de joelhos. Nada funcionava, nem as delegacias. O governador Claudio Lembo e o comando das polícias civil e militar davam informações confusas e desencontradas, mas insistiam que tudo estava sobre controle. Sobre controle? Geraldo Alckmin, licenciado do cargo para disputar as eleições presidenciais, sumiu. Onde estava? Ninguém sabe, ninguém viu.
    Se a polícia desapareceu das ruas, nas periferias homens encapuzados, fortemente armados, semeavam a morte em vilas e vielas abandonadas por Deus e pelo Estado. Quando o dia amanheceu o saldo de mortos já estava na casa das dezenas, alguns falavam em centenas, todas de supostos integrantes do PCC. Nunca saberemos quantos foram.
    A Terça-feira ensaiou ser um dia normal, apesar da tensão, e ninguém falava de outra coisa. Mas as eleições estavam próximas, um certo candidato poderia ser prejudicado. Melhor esquecer o assunto, falar de outra coisa. Quem sabe sobre algum dossiê? E todos esqueceram. Mas de vez em quando alguém se lembra.

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    domingo, 3 de maio de 2009

    (a Minha) Virada Cultural

    Virada Cultural 2009 059

    Gente, muita gente. Avenidas, ruas e vielas centenárias do Centro Velho tomadas por uma multidão alegre e pacífica, na maioria jovens. Esta foi a imagem que guardei da quinta edição da Virada Cultural, a segunda que acompanhei. A primeira foi a do ano passado.
    Este ano fui acompanhado por três amigos. No dia seguinte, enquanto fazíamos o nosso balanço pessoal da Virada, o Edu fez uma observação oportuna: Vimos muita coisa bacana, mas também vimos muita coisa ruim, a gente é que escolhe qual delas vai levar pra casa. Estou pensando nisso enquanto escrevo este artigo.
    O público deste ano foi realmente muito grande, chego a ficar surpreso que não tenha ocorrido incidentes graves durante as 24 horas do evento. Tanta gente junta gera alguns inconvenientes, principalmente quando alguns palcos são instalados em ruas estreitas, dificultando a locomoção, e quando faltam banheiros, um problema crônico em todos os grandes eventos realizados na cidade. Outro é a sujeira. Se a quantidade de pessoas impressiona, a quantidade de lixo espalhado pelas ruas impressiona mais ainda. Sobrou lixo e faltou lixeira. Era preciso andar muito até encontrar uma, já completamente cheia.
    Uma das marcas da Virada é a diversidade, sobretudo no que diz respeito às atrações musicais. Do Clássico ao Forró, do Jazz ao Sertanejo, todos os estilos e preferências culturais tem seu espaço. Mas é a organização do evento que decide qual espaço deve ser reservado para cada um e é aí que a face mais repulsiva, preconceituosa e elitista dessa cidade, ou de quem por hora manda nela, aparece. À turma do Rap e do Hipi-Hopi foi reservado o pior espaço no evento, o Parque Dom Pedro, longe do restante da festa e de difícil acesso. A periferia foi colocada na periferia do Centro, talvez para preservar a classe média desse tipo de convivência e ao mesmo tempo mostrar a este gente feia, perigosa e inculta qual o lugar dela. O argumento de que a periferia não é só o Rap e o Hip Hop não cola. Apesar de verdadeiro é preciso reconhecer que o Rap e o Hip Hop é a periferia.
    É importante reconhecer todos esses problemas. São Paulo é injusta e mal administrada, a virada Cultural reflete isso. Mas não foi esta a imagem que eu escolhi trazer para casa. Ver as ruas mal cuidadas do Centro Velho tomadas de gente de vários lugares do Brasil e do mundo, todos ali, espremidos para assistir aos mesmos shows é muito bom. Dançar ao som de música eletrônica em pleno Pátio do Colégio, às três horas da manhã (foto), ou cantar Raúl Seixas na Estação da Luz, de madrugada, ao lado de milhares de pessoas, não tem preço, como diria um comercial de cartão de crédito. Os custos e as vantagens que esse tipo de evento trazem para a cidade podem e devem ser discutidos, mas se eu usasse chapéu tirava para o povo dessa cidade. Pra mim a Virada Cultural, apesar de todos os seus problemas, foi uma grande demonstração de civilidade e convivência. O Edu estava certo!

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    quarta-feira, 25 de março de 2009

    Por tudo; e Apesar de Tudo, O Rio Continua Lindo

    No último fim de semana eu e alguns amigos paramos num barzinho _ lotado! _ nas imediações da _ sempre movimentada _ Rua Augusta, no Centro. Lá pela sexta cerveja, não lembro porque, o Rio de Janeiro foi trazido à mesa: _ "Lá não poderíamos ficar conversando tranquilamente na calçada, sem o risco de um arrastão ou de uma bala perdida". Disse um dos meus amigos. _ "Não é bem assim". Emendei. "O Rio é tão violento quanto São Paulo, e como qualquer outra cidade, possui lugares mais seguros que outros. Certamente poderíamos estar bebendo tranquilamente em muitos pontos do Rio de Janeiro".

    Todos me olharam como se eu fosse um cego e para me convencer citaram, um por um, as últimas noticias da TV sobre um Rio tomado pelo medo e pela guerra do tráfico. Não adiantou dizer que conheço o Rio de longa data, desde 1993. Fui voto vencido. E antes que a animosidade contra o Rio fosse transferida para minha pessoa, decidi mudar de assunto.

    Não é fácil falar bem do Rio para alguns paulistanos e as imagens de violência exportadas pela cidade também não ajudam. Já na segunda-feira recebi de alguns desses amigos três e-mails sobre os confrontos entre polícia e traficantes na Zona Sul. Cenas tristes e chocantes, resultado de políticas equivocas de governos populistas, mas que não resumem o Rio de janeiro. A cidade continua linda e pronta para surpreender aqueles que estão dispostos a conhecer seus encantos. Como bem lembrou minha amiga Fernanda, uma paulistana que também é apaixonada pela Cidade Maravilhosa.

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    domingo, 22 de março de 2009

    Coisas da Cidade

    Voltando do happy Hour na sexta-feira, fui abordado por uma vendedora da Revista Ocas. Pilar é seu nome. Moça muito simpática e sorridente que conhecia todo o conteúdo da revista que estava vendendo. Mais que vendedora, Pilar é uma leitora engajada.
    A Ocas _ Organização Civil de Ação Social _ é uma Organização sem fins lucrativos que atua no resgate de pessoas em situação de risco, como aquelas que vivem na rua ou estão a um passo disso. O termo morador de rua, como bem me lembrou Pilar, não é usado pela Organização, pois a rua não é casa para ninguém. Vive-se nela por não ter onde morar.
    A revista é editada por jornalistas, mas também abre espaço para as pessoas assistidas pela Organização, como a poetisa Pilar. O vendedor associado compra a revista por R$1,00 e a revende por R$3,00. Todos usam crachá e devem seguir um código de conduta. O objetivo é ressocializar essas pessoas e recuperar sua auto-estima e dignidade.
    Comprei a revista e ficamos conversando sobre o escritor, músico e poeta Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, de quem ela trazia um livro e a quem eu, na verdade, pouco conhecia. A cidade grande inspira medo, mas também oferece a oportunidade de conhecer pessoas como Pilar e de ouvir poesias inspiradas no Sertão Nordestino em pleno coração da Metrópole.
    Na revista, o quadro "Filosofia de Esquina", fazia a pergunta: "Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?" Confesso que precisei de um tempo para lembrar, e você?

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    domingo, 1 de março de 2009

    Um Rio de Histórias

    Imagem 025-1

    Domingo, 1°de Março, às 09 horas de uma manhã preguiçosa. As ruas da comunidade começam se encher de gente. O movimento dos vendedores ambulantes e o som das portas das lojas sendo abertas, indicam que a cidade está acordando. Faz calor, muito! A gritaria da molecada que brinca na rua soma-se aos gritos de outros meninos: "Ó o sorvete!" Sons que se misturam a gritaria da feira, das igrejas evangélicas _ lotadas de fiéis desde às sete _ e das motocicletas que sobem e descem as ladeiras sinuosas do morro.

    Do outro lado da rua, mais pessoas aguardam na fila a vez de comprar o pão do café da manhã ou a carne para o churrasco de logo mais. Cumprimentos entusiasmados entre vizinhos, adultos e crianças, alguns já com a bola de futebol na mão, doidos para fazê-las rolar nos pés, ali mesmo. No bar, grupos de amigos bebem a primeira cerveja do domingo, enquanto moradores mais velhos ensaiam uma partida de dominó. Em todos, apenas um pensamento: _ "Que bom que é domingo, mas o feriado bem que poderia ser amanhã."

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    Hoje, o Rio de Janeiro completa 444 anos. Mais que uma localização geográfica privilegiada e uma História mais privilegiada ainda _ capital da colônia, do Império Português, do Império do Brasil, da República _ o Rio é uma mistura de sons, festas, trabalho, praia e seis milhões de histórias. Histórias que têm vez nos famosos bairros da Zona Sul, nas ruas barulhentas do Centro, nas precárias, mas alegres comunidades, nos bairros do subúrbio. Histórias que não se excluem, pelo contrário. São elas que fazem o Rio de Janeiro, que também é de Fevereiro, Março, Abril...

    Rio de Janeiro

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    segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

    Polêmica Na Praça

    soberania-perspectiva

    Aos 102 anos e em plena atividade Oscar Niemeyer é, inquestionavelmente, um dos maiores arquitetos da nossa era. Mas não é nenhuma unanimidade e quanto mais sua idade avança, mais as críticas ao seu estilo tendem a aumentar.

    Em 2005 ele comprou briga com o CONDEPHAAT ao propor a demolição de uma parte da Marquise do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, para garantir a visibilidade do Auditório, ambos projetados por ele. Como o parque é tombado, a proposta foi negada.

    Desta vez, a polêmica gira em torno de um monumento aos 50 anos da Capital Federal, a "Praça da Soberania". Ela seria constuída na Esplanada dos Ministerios sobre um estacionamento para três mil carros e daria acesso a um "Memorial dos Presidentes" e a um "Obelisco" com cem metros de altura apontado para o Congresso Nacional.

    O problema é que Brasília também é uma cidade tombada. Não só pelo IPHAN, como também pela UNESCO, que a reconheceu como Patrimônio da Humanidade. Tudo indica que a Praça da Soberania não sairá do papel, mas Niemeyer defende o projeto e classifica o tombamento de cidades como "burrice". Segundo ele, as cidades são organismos vivos que precisam se adaptar constantemente a realidade de cada tempo para sobreviverem.

    Discutíveis, como tudo o que é relevante, as posições de Niemeyer são bem definidas. Há alguns anos ele foi convidado para as festividades dos cinquenta anos do edifício sede da ONU, em Nova Yorque, que pouca gente sabe, foi projetado por ele. Mas teve seu visto negado pela Embaixada dos EUA devido as suas posições políticas. Se ficou chateado? Que nada! "Isso demonstra que eu continuo o mesmo", disse o arquiteto satisfeito.

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    domingo, 25 de janeiro de 2009

    455 anos de São Paulo; Esta é a Minha


    É possível eleger uma música (seleção da rádio UOL) que seja símbolo de São Paulo? São muitas as que falam da cidade, mas cada paulistano prefere uma, e somos milhões. E um lugar que traduza a alma paulistana? Também não faltam candidatos: Estação da Luz, Bairro da Liberdade, Pátio do Colégio, Praça da Sé, entre muitos outros. A Avenida Paulista foi escolhida como o símbolo paulistano por excelência, mas não por unanimidade. Por mais que seja bela e espelhe como nenhum outro lugar a pujança da metrópole, São Paulo não se resume a uma avenida. Isso porque São Paulo não é uma cidade, mas várias. Uma dentro da outra, diferentes entre si, mas partes de um mesmo corpo.
    Moro numa delas, onde casas e sobrados baixos ainda dominam a paisagem, onde a padaria e o mercadinho ainda são os da esquina. Aqui a noite fica por conta dos botecos e de alguns arrasta-pés, onde se ouve mais forró nordestino e Música Sertaneja que qualquer outra coisa. E não posso me esquecer, aqui também tem poesia, no Sarau do Binho.
    Cinemas, teatros, livrarias? Só bem mais longe, na outra São Paulo, aquela da outra margem do Rio Pinheiros, muito mais rica, mas sem o charme da praça Amador Augusto, onde convivem em harmonia sete templos de diferentes denominações religiosas: Uma igreja Católica, quatro igrejas evangélicas, uma casa Seicho No Ie e um Centro Espírita. A minha São Paulo pode não lembrar a Avenida Paulista, mas o espírito cosmopolita é o mesmo.

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    segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

    São Paulo de Graça

    Viver em cidade grande tem alguns inconvenientes como o trânsito carregado, poluição, fila para tudo, violência, mas também tem suas vantagens. E não são poucas.
    São Paulo, a maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo, oferece tudo o que se espera _ e até o que nem se espera _ de uma cidade mundial. E pouca gente sabe, mas muitas dessas atrações são gratuitas!
    Desde o ano passado um novo portal na internet veio ajudar o paulistano _ e quem está na cidade à trabalho ou à passeio _ a ficar por dentro de tudo o que acontece na metrópole , de graça ou a preços populares. É o Catraca Livre, uma experiência de jornalismo comunitário. Foi nele que eu encontrei a dica da exposição "Um Cartaz para São Paulo - (In)sustentabilidade Urbana"(imagem acima), uma parceria do Senac SP com o Centro Cultural Maria Antônia.
    O site é fácil de navegar e as informações são atualizadas diariamente. Toda a programação cultural do aniversário de São Paulo já está lá. Dê uma olhada, quem sabe não tem alguma pertinho de você.
    Falta de dinheiro não vai ser desculpa para ficar em casa. Boa diversão!

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    quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

    Poesia de bar

    Sempre gostei de bares. Da descontração, do agito, do espaço de convivência que eles proporcionam. Cheguei a sonhar em ser dono de um. Idéia que não saiu totalmente da minha cabeça. Já conheci muitos: Familiares, de esquina, de ponto de ônibus, de shopping; com música e sem música. De botecos sujos e apertados até os mais sofisticados, com manobristas na porta e o nome de celebridades nas mesas reservadas. Em 2004, quando achava que já conhecia de tudo, fui apresentado ao Bar do Binho (assista) . Um bar como tantos outros da periferia paulistana, exceto por um detalhe: As noites de segunda-feira são dedicadas à poesia. É o Sarau do Binho.
    Nesta Segunda passei por lá. Cheguei sozinho e logo estava dividindo a mesa com um casal de poetas, tradicionais freqüentadores do sarau que por pouco não me convenceram a subir no pequeno palco e declamar algumas das poesias que eu acabara de ler e que não pude deixar de expressar à eles a admiração que me causaram. Mas os copos de cerveja que bebi até ali não foram suficientes para vencer minha timidez.
    Relembrando as poesias que ouvi no Sarau do Binho e em como elas fazem bem à alma, fiquei pensando em abrir um espaço para elas aqui no Conversa de Bar. Não será um sarau, claro, mas de qualquer forma deixo aqui a idéia.

    * Créditos da foto: retirada do blog: saraudobinho.blogspot.com

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