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  • Conversas de Bar sobre "Trabalho":
  • sábado, 1 de maio de 2010

    Dia do Trabalho: Entre o Passado e o Futuro

    Operários Tarsília do Amaral
    Quando eu comecei a trabalhar, lá pelos idos de 1988, eram comuns artigos de jornais e revistas que pintavam um futuro cor de rosa para os trabalhadores. Naquela época _ e nem faz tanto tempo assim _ havia quem acreditasse que o desenvolvimento de novas tecnologias permitiria ao homem trabalhar menos e dedicar mais tempo a educação, a cultura e ao lazer, seja sozinho, entre amigos ou em família. Eu ainda cursava a 8ª série do antigo 1º grau e torcia para que esse futuro chegasse logo.
    Mas os anos seguintes não foram nada cor de rosa. Operários robôs assombravam as linhas de produção no início dos anos 90 e os trabalhadores  passariam a trabalhar cada vez mais e a ganhar cada vez menos para não serem substituídos pelas máquinas. O capitalismo parecia ter esgotado sua capacidade de gerar novos empregos, mas as alternativas a ele desapareceram com o desmoronamento da União Soviética. A globalização deslocava os empregos existentes para onde a mão de obra era mais barata e menos protegida enquanto a classe trabalhadora se desorganizava os sindicatos perdiam força. O futuro do trabalho parecia cada vez mais sombrio. Não por muito tempo.

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    sexta-feira, 1 de maio de 2009

    Dia do Trabalho ou do trabalhador?

    trabalhadores 3

    Há 120 anos o congresso Socialista de 1889, em Paris, instituía o 1º de Maio como o Dia Internacional do Trabalho. Homenagem aos trabalhadores de Chicago, EUA, mortos durante a greve geral de 1886 enquanto reivindicavam a redução da jornada de 13 para 8 horas, direito à folgas semanais, férias, e a um salário digno. Esta foi apenas uma das muitas batalhas enfrentadas pelos trabalhadores desde que o capitalismo transformou a força de trabalho numa mercadoria abundante e extremamente desvalorizada, apesar de imprescindível para a manutenção do sistema.
    No Brasil, os trabalhadores protagonizaram lutas semelhantes, boa parte delas apagadas dos livros de História, pois não é do interesse de nossas elites que exemplos como estes sejam conhecidos, menos ainda, seguidos. Destaco aqui a greve geral de 1917, em São Paulo, reprimida de forma tão violenta que provocou a fuga para o interior de milhares de moradores da capital, e as greves do ABC, em 1978, que enfrentou o Regime Militar e desencadeou um movimento de resistência que levaria ao fim da Ditadura e à consolidação das leis trabalhistas na Constituição de 1988.
    Hoje, embora esses direitos não alcancem todos os brasileiros, forças políticas e econômicas insistem em atribuir a eles a culpa pelo custo da produção, pela inflação e até pelo desemprego. Ao mesmo tempo, as centrais sindicais, mais comprometidas com os interesses políticos dos partidos a elas coligadas que para os trabalhadores que  deveriam representar, recorrem a sorteios de prêmios e a shows para conseguir a presença dos trabalhadores nos atos públicos promovidos por elas no Dia do Trabalho. Talvez esteja na hora de nos perguntarmos o que estamos fazemos com este legado.

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