quarta-feira, 12 de maio de 2010
O Negro No Brasil Pós-Abolição
por Maria José Caldas
O fim da Escravidão foi o resultado de um lento processo que na verdade procurou escamotear a dinâmica das transformações econômicas em curso, representadas na segunda metade do século XIX pela lavoura cafeeira, mais bem integrada ao capital internacional, pelo conjunto de transformações políticas decorrentes do processo de descolonização do continente americano e pela crescente presença do imperialismo inglês sobre os países do Cone Sul. Mas existe um ponto a ser esmiuçado: É necessário lançar um olhar sobre a condição do “negro” após a abolição. Para onde foram quando deixaram as fazendas? Qual foi a política desenvolvida na época para que pudessem construir suas vidas de forma digna e independente?
A resposta a estas questões explica a atual situação vivida hoje por grande parte dos negros no Brasil. O estigma da escravidão representava uma desvantagem na disputava por trabalho com os imigrantes portugueses, espanhóis e italianos _ também analfabetos _ que chegavam para “fazer a América”. Ao negro não restou nem a garantia do trabalho mais pesado, foram entregues à própria sorte.
As mulheres negras continuaram fazendo trabalhos serviçais pouco remunerados como lavadeiras, copeiras, empregadas domesticas. Mas foi este trabalho que permitiu à mulher negra manter sua prole e contribuiu para que não houvesse a absoluta desintegração das famílias negras. Com a consolidação da República os sucessivos governos se entregaram ao projeto de branqueamento e de europeização do Brasil legando aos negros as sobras do desenvolvimento da nação.
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sexta-feira, 1 de maio de 2009
Dia do Trabalho ou do trabalhador?
terça-feira, 31 de março de 2009
Golpe de 64: 45 Anos
À Nação
É indispensável fixar o conceito do movimento civil e militar que acaba de abrir ao Brasil uma nova perspectiva sobre o seu futuro. O que houve e continuará a haver neste momento […] é uma autêntica revolução. A revolução se distingue de outros movimentos armados pelo fato de que nela se traduz, não o interesse e a vontade de um grupo, mas o interesse e a vontade da Nação.
segunda-feira, 30 de março de 2009
O Brasil Perde Uma de Suas Maiores Historiadoras
| Sandra Jatahy Pesavento, na Feira do Livro de Porto Alegre de 2008 Foto: Adriana Franciosi - 11/11/2008 |
Morreu ontem, dia 29, a historiadora gaúcha Sandra Jatahy Pesavento, professora da UFRGS. Pesavento se tornou uma das maiores referências brasileiras em História Cultural, corrente a qual passou a se dedicar _ e a defender _ nos anos 90, depois de muitos anos seguindo um Marxismo Histórico quase ortodoxico.
Não a conheci pessoalmente, mas devo à ela parte significativa da minha formação, sobretudo pelo interesse que a Cultura me despertou como teoria da História. De sua autoria li História e História Cultural, onde ela apresenta essa corrente historiografica com todas as suas possibilidaes, contradições e encantos, e O Imaginário da Cidade, no qual ela explora a imagem literária como fonte para a reconstrução do imaginário urbano do início do século 20. De uma Porto Alegre que queria ser Rio de Janeiro e de um Rio de Janeiro que queria ser Paris. É um livro sobre o mito da modernidade urbana.
“_ modernidade como produção artistica e intelectual de um projeto histórico chamado ‘modernização’, promovida pela transformação capitalista do mundo que dá nascimento à experiência, também histórica, individual e coletiva, do ‘viver em metrópole’. Produto da sociedade burguesa e atravessada pelas suas contradições, o sistema de ideias e imagens de representações coletivas encontra sua expressão privilegiada nos gêneros literários da época _ romance, poesia, crônicas de jornal _ e nos projetos urbanos de transformação da cidade.”
Nunca mais eu lerei um livro da mesma maneira.
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20 Anos Em rede
O aniversário quase passou batido por mim, mas não poderia deixar de ser mencionado aqui. Afinal, sem ela não existiria este blog, nem e-mails, sites e uma infinidade de outras coisas que mudaram para sempre a maneira como nos relacionamos com o mundo, com nós mesmos e até com o tempo, que ficou mais curto.Na sexta-feira passada, dia 13 de Março, a web completou 20 anos. A internet já existia, data dos anos 50 e foi criada com fins militares, mas a sua utilização mudou radicalmente quando um cara chamado Tim Berners-Lee inventou o WWW _World Wide Web _ uma fórmula que permite aos computadores pessoais trocarem informações entre si. A princípio a rede servia apenas à pesquisadores, mas a partir de 1995 seu uso explodiu, ficando ao alcance de qualquer pessoa que tenha acesso a um computador e uma linha telefônica.
A web bagunçou a questão dos direitos autorais, o conceito de privacidade, detonou a indústria fonográfica, está detonando a indústria do cinema, ameaça por fim a era dos grandes jornais impressos e promete fazer o mesmo com as redes de televisão. Sem contar que transformou as relações de trabalho, entre políticos e eleitores, entre empresas e consumidores, governos e cidadãos, mudou até mesmo a vida de pessoas que não usam a Rede ou nem sabem para que ela serve.
Se em tão pouco tempo a Rede Mundial de Computadores provocou mudanças tão profundas na sociedade, imagine então daqui mais 20 anos? Para onde ela vai nos levar?
domingo, 8 de março de 2009
Um Brinde Às Mulheres!
Como definir a mulher? Essa não é uma tarefa simples, mas já foi mais fácil. Não faz muito tempo ser mulher era ser mãe, esposa, boa filha; ser frágil, submissa, obediente, religiosa. Claro que esse era o modelo da mulher ideal. Havia outros como o da amante; bela e sensual, sem muitos pudores, mas ainda assim, dedicada ao seu, ou aos seus, homens. Modelos criados por uma sociedade machista, ainda que reproduzidos e impostos também por mulheres, como a Rainha Inglesa, Vitória.De lá pra cá, as mulheres já queimaram sutiãs, tomaram postos de trabalho dos homens, foram para a política, para a guerra, levantaram fuzis e bandeiras de paz. E continuaram sendo mães, esposas, filhas, amantes. Agora como opção, uma, entre outras.
Não há como definir a mulher, nem devemos tentar, pois, como autoras da sua própria vida, cada uma delas constrói a sua própria identidade sem precisar seguir modelos impostos ou esperados por ninguém, a não ser por elas mesmas.
Parabéns mulheres! E um brinde especial às minhas companheiras de copo!
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Ditadura Branda?
Classificar como brando um período marcado pela suspensão dos direitos civis, pelo desaparecimento de centenas de pessoas, pela morte de milhares, pela prisão e tortura de outras dezenas de milhares e que teve entre suas principais vítimas jornalistas como Vladimir Herzog, diretor da TV Cultura assassinado nos porões do DOI-COD, provocou a reação de alguns leitores indignados, outros nem tanto. Em resposta, e sem se desculpar, o jornal diz que, comparada a outros países do continente, a ditadura brasileira teria sido menos violenta, preservou as instituições nacionais e garantiu, inclusive, o acesso à Justiça. Só esqueceu de explicar como se garante o acesso à justiça eliminando o principal instrumento dessa garantia, que é o Habeas Corpus.
É sabido que o Regime contou, em seu início, com o apoio dos principais jornais brasileiros, até dar lugar a um discurso de oposição encampado pela sociedade. Fica a pergunta: Será que algumas máscaras começaram a cair?
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Quem Inventou o Papai Noel?
Brincadeirinha, mas se você decidiu continuar é porque assumiu os riscos ou conhece um pouco da história. Neste caso já deve ter respondido que foi a Coca Cola. Certo?
Se o Papai Noel em questão for aquele que vive no Pólo Norte e que, no Natal, viaja num trenó puxado por renas voadoras, cheio de presentes, é isso mesmo. Foi a Coca Cola. Porém, o Bom Velhinho não foi inventado do nada, mas adaptado de lendas e crenças tão antigas quanto o próprio Natal!
Uma dessas lendas é a de um velhinho muito bondoso que viveu por volta do século III, na Lícia, onde hoje é a Turquia. Seu nome era Nicolau. Ele adorava crianças e sempre tinha um presentinho para elas. Após sua morte diversos milagres foram atribuídos à ele, e em pouco tempo Nicolau se tornou o santo do Natal. Muito popular no Oriente e no Norte da Europa.
A partir do século VIII, as conversões religiosas do Oriente ao islamismo e, posteriormente, do Norte da Europa ao Protestantismo, significaram o fim da sua veneração justamente onde ela era mais popular. Desde então São Nicolau passou a ser incorporado ao campo da lenda, da fantasia. Mesmo assim, ainda hoje ele é o Santo Padroeiro da Grécia e da Rússia.
No século XIX, escandinavos e alemães que imigraram para os Estados Unidos levaram a lenda natalina do Sankt Niklaus _ São Nicolau _ com eles. Aos poucos os americanos foram incorporando esse tradição até que em 1886 a Coca Cola resolveu popularizá-la, retirando os elementos do catolicismo e vestindo-o de vermelho, a cor da marca de refrigerantes, simplificou seu nome para Santa Klaus, mais fácil de pronunciar, e criou a lenda em torno do Pólo Norte. Vejam vocês o poder que tem o dinheiro e uma boa propaganda...
Segundo Joseph Campbell, os mitos não precisam ter compromisso com a verdade, pois são verdadeiros para quem os cultiva. Para muita gente, inclusive para muitos marmanjos, esse deve ser o caso do Papai Noel. No Brasil o nome Noel vem do Francês, e quer dizer Natal. Em Portugal ele é conhecido como Pai Natal, na França Pepe Noel e na Inglaterra, Father Christmas.
Feliz Natal! Ho! Ho! Ho! Ho!
sábado, 13 de dezembro de 2008
AI-5 - 40 anos
Ao fazer um discurso pedindo às moças brasileiras que seguissem o exemplo das mulheres atenienses lideradas por Lisístrata na peça de Aristófaneses, e não namorassem militares, o Deputado Márcio Moreira Alves dá o motivo que eles precisavam. O discurso é recebido como ofensa pelos militares que pedem ao congresso uma licença para processar o Deputado. O Congresso nega e no dia seguinte o governo baixa o AI-5.
É muito importante preservar a memória deste dia, até porque somos um país que ainda dá pouco valor a democracia. Se hoje podemos nos expressar livremente, inclusive por meio de um blog, como faço agora, ir e vir sem dar satisfações, participar ou não da política, protestar, e o mais importante: Recorrer à justiça em caso de desrespeito a essas liberdades, é porque brasileiros lutaram, e alguns até morreram, para nos legar esses direitos. Não devemos esquecer disso nunca!
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Declaração Universal dos Direitos Humanos - 60 Anos
Technorati Marcas: Direitos Humanos Continue lendo >>





