Dia do Trabalho: Entre o Passado e o Futuro
Quando eu comecei a trabalhar, lá pelos idos de 1988, eram comuns artigos de jornais e revistas que pintavam um futuro cor de rosa para os trabalhadores. Naquela época _ e nem faz tanto tempo assim _ havia quem acreditasse que o desenvolvimento de novas tecnologias permitiria ao homem trabalhar menos e dedicar mais tempo a educação, a cultura e ao lazer, seja sozinho, entre amigos ou em família. Eu ainda cursava a 8ª série do antigo 1º grau e torcia para que esse futuro chegasse logo.
Mas os anos seguintes não foram nada cor de rosa. Operários robôs assombravam as linhas de produção no início dos anos 90 e os trabalhadores passariam a trabalhar cada vez mais e a ganhar cada vez menos para não serem substituídos pelas máquinas. O capitalismo parecia ter esgotado sua capacidade de gerar novos empregos, mas as alternativas a ele desapareceram com o desmoronamento da União Soviética. A globalização deslocava os empregos existentes para onde a mão de obra era mais barata e menos protegida enquanto a classe trabalhadora se desorganizava os sindicatos perdiam força. O futuro do trabalho parecia cada vez mais sombrio. Não por muito tempo.
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