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  • Conversas de Bar sobre "Filmes":
  • domingo, 25 de julho de 2010

    As Declarações de Stallone Sobre o Brasil

    Conversa de Bar
    Durante a divulgação do seu mais recente trabalho, o filme “Os mercenários”, rodado no Rio de Janeiro, o ator Sylvester Stallone fez alguns comentários nada elogiosos sobre os brasileiros. No primeiro, sobre a disposição dos fluminenses em colaborar com a produção do filme, disse que “Você pode explodir o país inteiro e eles vão dizer obrigado, e aqui está um macaco para você levar de volta para casa”. Em seguida debochou do símbolo ostentado pelo B.O.P.E., a polícia de elite do Rio de Janeiro: “Os policiais de lá usam camisetas com uma caveira, duas armas e uma adaga cravada no centro; já imaginou se os policiais de Los Angeles usassem isso? Já mostra o quão problemático é aquele lugar”.
    O comentário infeliz do autor repercutiu forte por aqui e não faltaram críticas indignadas na imprensa e na internet, sobretudo no Twitter. Diante da repercussão negativa, e para não atrapalhar a bilheteria do filme no Brasil, Stallone não demorou a se retratar, pediu desculpas aos brasileiros e terminou por lançar elogios a esse “grande país”.
    As autoridades brasileiras costumam dispensar um tratamento muito especial a celebridades internacionais que passam pelo país. Recentemente a cantora Madona circulou pelas ruas do Rio e de São Paulo escoltada por batedores da polícia militar e ainda foi recepcionada no Palácio dos Bandeirantes com pompa e circunstância que fariam inveja a chefes de Estado em visita oficial ao país. Fãs tem todo o direito de expressar carinho e admiração pelo seu pop star favorito, e as autoridades a obrigação de lhes garantir a segurança devida _ como a qualquer cidadão, aliás _ , mas tietagem de Estado tem limite. Não acompanhei a estadia de Sylvester Stallone no Rio, mas talvez a “atenção especial” que a equipe de filmagens recebeu das autoridades tenha impressionado o ator a ponto de motivar o primeiro comentário.
    Quanto ao segundo comentário, Stallone tem toda razão. O símbolo usado pelo B.O.P.E., mesmo não representando a corporação como um todo, indica uma distorção da imagem que a policia deveria ter. Uma caveira transpassada por uma espada e cruzada por duas pistolas só representa duas coisas, violência e morte, além de muito mal gosto, claro.
    Provavelmente o ator estadunidense nem tomou conhecimento do caveirão, uma viatura blindada que a tropa de elite do Rio usa para “patrulhar” os bairros populares da cidade maravilhosa ao som da mesma melodia tétrica dos filme de Freddy Krueger, provocando terror na população, sobretudo nas crianças. Algo do tipo: “Corre, corre, o caveirão vai te pegar…; Dá no pé, mané; corre pra morrer, corre!; Não adianta, correr, o caveirão vai te pegar…. Ou ainda: “Sou guerreiro do B.O.P.E. e não admito falha, vou te meter bala e te mandar para a vala”; “O caveirão ta na favela, invadiu o morrão, Vamos te meter bala e não é perdida, não!”. Não precisa ser de hollywood para ver nestas coisas indícios de uma sociedade problemática. Um desses singelos jingles pode ser ouvido aqui.
    Eu também não gosto quando falam mal do meu país, mas acho que não devemos dar tanta importância a opinião de celebridades, mesmo de um Stallone. Deixemos que os fãs brasileiros se entendam com eles.

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    terça-feira, 5 de janeiro de 2010

    Lula: Um Brasileiro

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    Finalmente assisti “Lula: O Filho do Brasil” (trailer), de Fábio Barreto. Não vou me aventurar aqui a escrever uma crítica sobre o filme, essa não é a minha praia, mas posso dizer que gostei. Não é um filme político, não promove o culto a personalidade e nem é o filme do Presidente Lula, como gostam de dizer por aí, e sim sobre a vida de Luiz Inácio da Silva, tendo como pano de fundo a pobreza do sertão nordestino, a vida difícil nos bairros precários e violentos da periferia e a repressão do Regime Militar.
    O filme me ajudou a entender melhor o fenômeno Lula. Mais que um grande orador ele é retratado como um líder pragmático, para quem os objetivos a serem alcançados estavam acima dos interesses ideológicos. Num de seus discursos ele diz que “trabalhador não é de esquerda nem de direita. O que ele quer é levar o sustento para casa, só isso”.
    Na saída do cinema algumas pessoas comentavam que o filme é fraco, que poderia ter explorado melhor um aspecto ou outro. Pode ser. Mas acho que o público à quem o filme se dirige talvez não sinta falta de nada disso. Falo dos operários que compartilharam da mesma luta que ele e dos milhões de migrantes e descendentes que mantém viva na memória fuga da miséria e a difícil adaptação à cidade grande, dificuldades enfrentadas graças a esperança de uma vida melhor. E “Lula: O Filho do Brasil”, é um filme sobre a esperança. O título não poderia ser mais verdadeiro. Lula é, de fato, o filho de um Brasil que se apoiou na exclusão social como base para o seu desenvolvimento, mas que agora, sob seu governo, parece querer mudar.

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    segunda-feira, 11 de maio de 2009

    Oriente Médio Em Evidência

    Nos últimos dias as discussões em torno do Oriente Médio e de um Estado Palestino, agora sob a nova configuração das relações internacionais na era Obama, ganharam fôlego extra com as visitas do presidente israelense Shimon Peres aos EUA e do Papa Bento XVI a Israel. Embora tenham poucos efeitos práticos, essas visitas indicam que uma solução para os conflitos na região, por mais espinhosa que seja e por mais que demore, é inevitável.

    Um desses espinhos é retratado nas telas pelo filme Valsa com Bashir, do israelense Ari Folman. Um documentário autobiográfico em animação sobre a busca de Folman por suas memórias da Guerra do Líbano, da qual ele participou, mas não guardou lembrança alguma. Embora não seja um filme político, faz um paralelo entre a crueldades do Holocausto e o massacre de cerca de três mil palestinos por cristãos libaneses nos campos de Sabra e Shatila, do qual ele participou, ainda que indiretamente. O exército israelense não só deu cobertura, fechando as rotas por onde os palestinos poderiam fugir, como iluminou os campos para facilitar o massacre.

    Aproveito para recomendar o excelente post do Thiago Leite no Teia Neuronial sobre o livro Orientalismo, de Edward W. Said, que mostra como o Oriente e o Islã são vistos pelos olhos do Ocidente e pensados como uma região _ e religião _ beligerante, irracional e imprevisível e como esse olhar impede a compreensão não só dos seus problemas, mas de como o Ocidente foi e continua sendo responsável por considerável parte deles.

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    domingo, 12 de abril de 2009

    Entre os Muros da Escola

    O sinal toca numa escola pública da periferia de Paris anunciando o início da aula. Os alunos entram na classe gritando, ouvindo música nos celulares, arrastando carteiras, brigando. O professor espera, pede silêncio, enquanto seus alunos retribuem com “cala a boca você; vai se f….
    Assim começa “Entre os Muros da escola", adaptado do livro de François Bégaudeau, um professor de Francês que interpreta a si próprio no filme (trailer) vencedor da Palma de Ouro e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
    O longa retrata as dificuldades enfrentadas por professores franceses na educação de alunos pobres, imigrantes ou filhos de imigrantes, numa sociedade que não consegue, ou nem quer, integrá-los à ela. Apesar de retratar uma realidade diferente, há muito em comum com as escolas públicas brasileiras. O interessante é que os professores do filme não são idealizados, como costumam ser em filmes do gênero, mas pessoas comuns, cuja paciência também tem limites e que, por mais dedicados que sejam, são o inimigo público número um.

    O filme me deixou algumas perguntas: Deve-se abrir mão do conteúdo curricular em favor daquilo que realmente interessa aos alunos? Como conviver com atos de indiciplina sem tornar a aula inviável? E por que o ensino para aqueles que mais precisam dele para vencerem a pobreza é tão difícil? Estas são as minhas, quem se propuser a assistir ao filme certamente deixara a sala de exibição com outras.

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