domingo, 25 de julho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Saramago: “um personagem maior do que qualquer um que ele tenha criado”
Pois é, Edu, eu também escrevi algo a respeito da morte de Saramago e me sinto igualmente triste. Não o conheci e nunca o vi de perto, mas o mestre de Azinhaga tinha um estilo tão próprio, tão afetuoso, que mais parecia um amigo querido - e foi Saramago um personagem maior do que qualquer um que ele tenha criado.
Diferentemente de boa parte da intelectualidade européia, ele sentiu na pele o que foi ser pobre, seja pela infância miserável nos campos de Azinhaga, a pobreza em Lisboa onde teve de fazer ensino técnico e se manter como operário, a dificuldade para viver da própria arte - coisa que só conseguiu a partir do 18º livro - e a opressão política: Enquanto boa parte da Europa Ocidental, bem ou mal, estava livre do fascismo desde o fim da guerra, Portugal ainda era um Estado Fascista em plenos anos 70 que, não satisfeito em sê-lo, ainda estava a travar uma insensata e absurda guerra colonial em África. Quando o capitão Salgueiro Maia conduziu em marcha suas tropas do Quartel do Carmo até Lisboa, em Abri de 74, irrompendo a Revolução dos Cravos, Saramago já era um senhor de 51 anos de idade - mais de meio século nascido e amadurecido sob a bota de um regime que juntava o que há de pior em Portugal desde seu surgimento, o provincianismo megalomaníaco e um catolicismo supersticioso que a tudo justifica.
Foi-se a Revolução e os traidores do povo se apoderaram do poder, conduzindo Portugal para o que é hoje, uma unidade periférica da Europa, condenada aos humores e rumores do resto do continente, cujo desenvolvimento se assenta sobre um pântano - e aqui falo tanto de Mario Soares e seus socialistas, que nunca passaram de uma ponta de lança do projeto europeu, e de Cavaco Silva, um social-democrata de araque que Saramago bem classificou como "gênio das banalidades". Foi essa falsa democracia - e Marx há de me advertir que a Democracia sempre foi uma grande encenação teatral, uma tragédia entre os antigos e uma farsa para os contemporâneos - que o perseguiu por razão do seu livro mais pungente, O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
O século 20º, aos poucos, nos deixa. O que resta não é bom. Não desprezemos as lições do nosso querido amigo que foi-se, caso quisermos ainda sobreviver.
um abraço
domingo, 20 de junho de 2010
Saramago
| Origem da foto aqui |
“A morte é simplesmente a diferença entre o estar aqui e o já não estar." Foi com estas palavras que o Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, numa das muitas entrevistas que concedeu ao longo da vida, definiu o que seria a morte, o ato final de tudo o que é vivo, o destino inexorável de todos nós. Não tinha medo de morrer, mas não escondia seu pesar diante da certeza de um dia já não estar mais aqui. Na mesma entrevista, concedida ao repórter Edney Silvestre em 2007, emprestou da avó Josefa, morta quando ele era ainda um menino, um sentimento que parecia ser agora dele próprio: “O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer”.
A morte alcançou José Saramago na última sexta-feira, 18 de Junho, aos 87 anos. Sua obra, no entanto, ficará para sempre, como um grande legado seu à humanidade. Além da extensa produção literária, Saramago mantinha o blog Outros Cadernos de Saramago, que o Conversa de Bar se orgulha de manter em sua lista de sites desde seu primeiro dia e continuará a mantê-lo enquanto estiver disponível na rede _ e espero que assim o queira a Fundação José Saramago, responsável pelo sítio. Ao leitor que ainda não o conhecia, fica aqui a sugestão.
Continue lendo >>quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Zilda Arns – 1934 – 2010.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Lula: Um Brasileiro
domingo, 28 de junho de 2009
Geração Michael Jackson
Já fazia muitos anos que eu não prestava atenção em Michael Jackson. Nunca o considerei um ídolo, jamais tive um disco do cantor ou assisti a seus clips no YouTube. Tirando o período entre o final da minha infância e parte da adolescência, quando o piso liso da escola servia de pista para imitar o “moon walker”, em que as pernas parecem seguir para frente enquanto os pés deslizam para trás, a carreira e a vida do "Rei do Pop" eram indiferentes para mim. Bem, isso era o que eu pensava até receber a notícia de sua morte. Não era bem assim. Michael Jackson faz parte da história da minha geração e muitas de suas músicas compõe a trilha sonora da minha vida.
Talentoso, polêmico, inconformado com sua aparência e suas origens _ as quais tentou apagar por meio de várias cirurgias plásticas _ Jackson levou a obsessão pela construção da própria imagem além dos limites imagináveis no seu tempo. Como o Macunaíma de Mário de Andrade ele nasceu “preto” e virou “branco”, e como Carmem Miranda, criou um mito com vida própria que sobreviverá a ele graças aos seus milhares de interpretes mundo afora.
A vida atribulada do astro, as suspeitas levantadas pelo seu apego a companhia de crianças e seu comportamento excêntrico não diminuem a marca que ele deixou em uma geração inteira, que hoje está de luto.
Continue lendo >>sábado, 4 de abril de 2009
Celebridades da Semana
A ex-Big Brother britânica, Jade Goody, morta aos 27 anos, de quem eu já falei aqui no Conversa de Bar, foi enterrada hoje pela manhã. Jade criou polêmica ao admitir que venderia os direitos de imagem da sua morte para garantir o futuro dos filhos, o que não chegou a fazer, mas explorou o quanto pode as imagens da sua luta contra um câncer no útero.
No Brasil, a 9ª edição do Big Brother Brasil entra em sua fase final produzindo novas celebridades, ainda que para a maioria delas a fama não dure mais que alguns meses. O programa sempre recebeu muitas críticas por trazer ao telespectador altas doses de futilidades, mas nem todo mundo pensa assim e o BBB-9 continua líder de audiência nos bate-papos da hora do almoço.
Lula também se destacou como celebridade mundial na Reunião do G-20, em Londres. Foi o chefe de Estado mais requisitado e ficou ao lado da Rainha Elizabeth II e do 1º Ministro Gordon Brown, na foto oficial do encontro, posição reservada à líderes importantes no cenário mundial. Apesar da crise o país ainda esta numa posição privilegiada. “Quero ser o primeiro presidente brasileiro a emprestar dinheiro ao FMI”. Disse Lula à BBC.
segunda-feira, 30 de março de 2009
O Brasil Perde Uma de Suas Maiores Historiadoras
| Sandra Jatahy Pesavento, na Feira do Livro de Porto Alegre de 2008 Foto: Adriana Franciosi - 11/11/2008 |
Morreu ontem, dia 29, a historiadora gaúcha Sandra Jatahy Pesavento, professora da UFRGS. Pesavento se tornou uma das maiores referências brasileiras em História Cultural, corrente a qual passou a se dedicar _ e a defender _ nos anos 90, depois de muitos anos seguindo um Marxismo Histórico quase ortodoxico.
Não a conheci pessoalmente, mas devo à ela parte significativa da minha formação, sobretudo pelo interesse que a Cultura me despertou como teoria da História. De sua autoria li História e História Cultural, onde ela apresenta essa corrente historiografica com todas as suas possibilidaes, contradições e encantos, e O Imaginário da Cidade, no qual ela explora a imagem literária como fonte para a reconstrução do imaginário urbano do início do século 20. De uma Porto Alegre que queria ser Rio de Janeiro e de um Rio de Janeiro que queria ser Paris. É um livro sobre o mito da modernidade urbana.
“_ modernidade como produção artistica e intelectual de um projeto histórico chamado ‘modernização’, promovida pela transformação capitalista do mundo que dá nascimento à experiência, também histórica, individual e coletiva, do ‘viver em metrópole’. Produto da sociedade burguesa e atravessada pelas suas contradições, o sistema de ideias e imagens de representações coletivas encontra sua expressão privilegiada nos gêneros literários da época _ romance, poesia, crônicas de jornal _ e nos projetos urbanos de transformação da cidade.”
Nunca mais eu lerei um livro da mesma maneira.
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A Cruzada Conservadora de Bento XVI
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Polêmica Na Praça
Aos 102 anos e em plena atividade Oscar Niemeyer é, inquestionavelmente, um dos maiores arquitetos da nossa era. Mas não é nenhuma unanimidade e quanto mais sua idade avança, mais as críticas ao seu estilo tendem a aumentar.
Em 2005 ele comprou briga com o CONDEPHAAT ao propor a demolição de uma parte da Marquise do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, para garantir a visibilidade do Auditório, ambos projetados por ele. Como o parque é tombado, a proposta foi negada.
Desta vez, a polêmica gira em torno de um monumento aos 50 anos da Capital Federal, a "Praça da Soberania". Ela seria constuída na Esplanada dos Ministerios sobre um estacionamento para três mil carros e daria acesso a um "Memorial dos Presidentes" e a um "Obelisco" com cem metros de altura apontado para o Congresso Nacional.
O problema é que Brasília também é uma cidade tombada. Não só pelo IPHAN, como também pela UNESCO, que a reconheceu como Patrimônio da Humanidade. Tudo indica que a Praça da Soberania não sairá do papel, mas Niemeyer defende o projeto e classifica o tombamento de cidades como "burrice". Segundo ele, as cidades são organismos vivos que precisam se adaptar constantemente a realidade de cada tempo para sobreviverem.
Discutíveis, como tudo o que é relevante, as posições de Niemeyer são bem definidas. Há alguns anos ele foi convidado para as festividades dos cinquenta anos do edifício sede da ONU, em Nova Yorque, que pouca gente sabe, foi projetado por ele. Mas teve seu visto negado pela Embaixada dos EUA devido as suas posições políticas. Se ficou chateado? Que nada! "Isso demonstra que eu continuo o mesmo", disse o arquiteto satisfeito.
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Notável Brasileira
Já fiz essa brincadeira com uma foto do Obama. Vamos à outra: Iniciou a carreira de cantora (ouça especial) no final dos anos 20. Ousada e transgressora, logo se tornou conhecida em todo o Brasil. Basta olhar a foto para perceber que tinha estilo. Em 1939 seguiu para os EUA onde se tornaria a atriz mais bem paga do cinema.
Apesar das críticas de que teria se americanizado (ouça), sempre fez questão de lembrar que era brasileira, mas se ressentia da recepção fria que teve ao voltar ao Brasil. Outro ressentimento era a falta de liberdade para desempenhar outros papéis, pois os estúdios queriam vê-la apenas no papel da personagem que a tornou famosa, mas que acabou por devorá-la. Já descobriu quem é?
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
O Homem do Ano



