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  • Conversas de Bar sobre "Memória":
  • terça-feira, 25 de janeiro de 2011

    Memórias de São Paulo

    2011-01-25 São Paulo Marg
    Hoje, São Paulo completa 457 anos. A cidade foi fundada por padres jesuítas em 1554, no dia dedicado a São Paulo Apóstolo, numa pequena colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú.  O primeiro teve seu curso desviado em 1890 para além do atual  Parque Dom Pedro. Do segundo restou apenas o nome do vale que separa o Centro Velho do Novo. O rio Anhangabaú foi canalizado no início do século XX para a construção do parque do Anhangabaú, uma grande e bela área verde que daria lugar, nos anos 40, a um também grande, mas não tão belo, estacionamento para automóveis. Na década seguinte, nos anos 50, o vale histórico seria reduzido a apenas um trecho da Avenida 23 de Maio. A via expressa ainda está lá, mas desde 1992 passa por debaixo do Vale Anhangabaú, agora transformado, novamente, em praça. Em 2006, prefeitura da cidade manifestou o desejo de devolver a atual praça aos automóveis, por enquanto sem sucesso.
    Largo da Memória 5O Largo da Memória e o Obelisco do Piques

    Até a inauguração da primeira Estação da Luz, a principal porta de entrada para a capital paulista era o Largo do Piques por onde se chegava vindo pelo Vale do Anhangabaú. Ali existia uma "bica d'água" que matava a sede da cidade e das tropas de mulas que chegavam de várias regiões. Devido a importância estratégica do lugar o governo mandou construir ali, em 1814, um chafariz e um monumento, o obelisco do Piques, erguido "Em memória ao zelo do bem público", daí a origem do nome atual do Largo. A história do monumento pode ser encontrada  neste site da prefeitura, o mesmo que convida empresas privadas a adotar o monumento e cuidar da sua manutenção, que aliás, é bem falha. Parece que o zelo pelo bem público ficou apenas na memória.
    Em 1922, em comemoração ao centenário da Independência, o largo da Memória ganhou um charmoso projeto paisagístico com um belo conjunto de escadarias e um painel de azulejos representando a antiga parada de mulas.
    O tempo passou, a cidade continuou crescendo e o Largo da Memória foi ficando esquecido. Passando pelo local não encontrei nenhuma placa que informasse aos poucos transeuntes que estão diante de uma antiga porta de entrada para a cidade e de um monumento erguido há duzentos anos, o primeiro da cidade. Também não há qualquer informação sobre a centenária figueira que existe ao lado do monumento, a arvore também é tombada pelo patrimônio Histórico, mas está igualmente mal cuidada e cercada de lixo.
    Abaixo um vídeo do grupo Rumo cantando ladeira da Memória, produzido no início dos anos 80, quando a Ladeira da Memória ainda era um lugar movimentado.

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    segunda-feira, 21 de junho de 2010

    Saramago: “um personagem maior do que qualquer um que ele tenha criado”

    Por Hugo Albuquerque

    Pois é, Edu, eu também escrevi algo a respeito da morte de Saramago e me sinto igualmente triste. Não o conheci e nunca o vi de perto, mas o mestre de Azinhaga tinha um estilo tão próprio, tão afetuoso, que mais parecia um amigo querido - e foi Saramago um personagem maior do que qualquer um que ele tenha criado.
    Diferentemente de boa parte da intelectualidade européia, ele sentiu na pele o que foi ser pobre, seja pela infância miserável nos campos de Azinhaga, a pobreza em Lisboa onde teve de fazer ensino técnico e se manter como operário, a dificuldade para viver da própria arte - coisa que só conseguiu a partir do 18º livro - e a opressão política: Enquanto boa parte da Europa Ocidental, bem ou mal, estava livre do fascismo desde o fim da guerra, Portugal ainda era um Estado Fascista em plenos anos 70 que, não satisfeito em sê-lo, ainda estava a travar uma insensata e absurda guerra colonial em África. Quando o capitão Salgueiro Maia conduziu em marcha suas tropas do Quartel do Carmo até Lisboa, em Abri de 74, irrompendo a Revolução dos Cravos, Saramago já era um senhor de 51 anos de idade - mais de meio século nascido e amadurecido sob a bota de um regime que juntava o que há de pior em Portugal desde seu surgimento, o provincianismo megalomaníaco e um catolicismo supersticioso que a tudo justifica.
    Foi-se a Revolução e os traidores do povo se apoderaram do poder, conduzindo Portugal para o que é hoje, uma unidade periférica da Europa, condenada aos humores e rumores do resto do continente, cujo desenvolvimento se assenta sobre um pântano - e aqui falo tanto de Mario Soares e seus socialistas, que nunca passaram de uma ponta de lança do projeto europeu, e de Cavaco Silva, um social-democrata de araque que Saramago bem classificou como "gênio das banalidades". Foi essa falsa democracia - e Marx há de me advertir que a Democracia sempre foi uma grande encenação teatral, uma tragédia entre os antigos e uma farsa para os contemporâneos - que o perseguiu por razão do seu livro mais pungente, O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
    O século 20º, aos poucos, nos deixa. O que resta não é bom. Não desprezemos as lições do nosso querido amigo que foi-se, caso quisermos ainda sobreviver.
    um abraço
    Hugo Albuquerque escreve n’O Descurvo

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    domingo, 20 de junho de 2010

    Saramago

    saramago_jose
    Origem da foto aqui

    “A morte é simplesmente a diferença entre o estar aqui e o já não estar." Foi com estas palavras que o Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, numa das muitas entrevistas que concedeu ao longo da vida, definiu o que seria a morte, o ato final de tudo o que é vivo, o destino inexorável de todos nós.  Não tinha medo de morrer, mas não escondia seu pesar diante da certeza de um dia já não estar mais aqui. Na mesma entrevista, concedida ao repórter Edney Silvestre em 2007, emprestou da avó Josefa, morta quando ele era ainda um menino, um sentimento que parecia ser agora dele próprio: “O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer”.

    A morte alcançou José Saramago na última sexta-feira, 18 de Junho, aos 87 anos. Sua obra, no entanto, ficará para sempre, como um grande legado seu à humanidade. Além da extensa produção literária, Saramago mantinha o blog Outros Cadernos de Saramago, que o Conversa de Bar se orgulha de manter em sua lista de sites desde seu primeiro dia e continuará a mantê-lo enquanto estiver disponível na rede _ e espero que assim o queira a Fundação José Saramago, responsável pelo sítio. Ao leitor que ainda não o conhecia, fica aqui a sugestão. 

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    quarta-feira, 12 de maio de 2010

    13 de Maio

    2010-05 (mai)
    No dia 13 de Maio de 1888 o Parlamento Brasileiro aprovava, por ampla maioria, a lei que colocaria fim a quase quatrocentos anos de escravidão no Brasil. O anúncio foi feito em meio a maior festa popular que o Império jamais conheceu. Não era para menos. A lei Áurea coroou os esforços dos milhares de brasileiros que se engajaram na causa abolicionista, a primeira grande mobilização popular da nossa história. Evidentemente ainda havia quem defendesse a manutenção da escravidão por mais alguns anos, mas mesmo estes compreendiam que seu fim era inevitável. Mas por que o 13 de Maio não foi eleito pelos movimentos negros como símbolo da resistência à escravidão?
    A resposta é simples: Uma vez assinada a Lei Áurea os ex-escravos foram deixados a própria sorte e o que era para ser um marco no exercício pleno da cidadania se tornou um grande programa de desemprego em massa. Ao longo do tempo a participação ativa dos negros no processo abolicionista foi apagada da história oficial e o 13 de Maio acabou lembrado como um ato de compaixão da elite branca. Nada mais falso.
    A elite da época somente aderiu à causa abolicionista quando ficou claro que não havia outra alternativa. A charge acima, publicada por Ângelo Agostini em 1887 na Revista Ilustrada, mostra claramente que o sistema escravista se desintegrava a olhos vistos: “Enquanto no Parlamento só se discursa e nada se resolve, os pretinhos raspam-se com toda ligeireza. Os fazendeiros não conseguem segurá-los.”, dizia a legende da charge. Muito antes da assinatura da lei Áurea pela Princesa Isabel, os negros brasileiros já haviam decidido que não seriam escravos de mais ninguém.

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    O Negro No Brasil Pós-Abolição

    por Maria José Caldas

    O fim da Escravidão foi o resultado de um lento processo que na verdade procurou escamotear a dinâmica das transformações econômicas em curso, representadas na segunda metade do século XIX pela lavoura cafeeira, mais bem integrada ao capital internacional, pelo conjunto de transformações políticas decorrentes do processo de descolonização do continente americano e pela crescente presença do imperialismo inglês sobre os países do Cone Sul. Mas existe um ponto a ser esmiuçado: É necessário lançar um olhar sobre a condição do “negro” após a abolição. Para onde foram quando deixaram as fazendas? Qual foi a política desenvolvida na época para que pudessem construir suas vidas de forma digna e independente? 

    A resposta a estas questões explica a atual situação vivida hoje por grande parte dos negros no Brasil. O estigma da escravidão representava uma desvantagem na disputava por trabalho com os imigrantes portugueses, espanhóis e italianos _ também analfabetos _ que chegavam para “fazer a América”. Ao negro não restou nem a garantia do trabalho mais pesado, foram entregues à própria sorte.

    As mulheres negras continuaram fazendo trabalhos serviçais pouco remunerados como lavadeiras, copeiras, empregadas domesticas. Mas foi este trabalho que permitiu à mulher negra manter sua prole e contribuiu para que não houvesse a absoluta desintegração das famílias negras. Com a consolidação da República os sucessivos governos se entregaram ao projeto de branqueamento e de europeização do Brasil legando aos negros as sobras do desenvolvimento da nação.

     

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    segunda-feira, 10 de maio de 2010

    Conga (Para quem tem mais de trinta)

    Quem foi criança nos anos 80’ com certeza passou pela experiência de sonhar com um tênis Montreal ou mesmo um adidas de pano, mas ter que se contentar com um Conga azul tão barato que era vendido até na feira. O legal é que ninguém tinha vergonha de ir com ele para a escola, isso porque todo mundo usava, até as meninas. Como vingança, a criançada competia para ver quem destruía o seu primeiro. O que não era difícil porque ele furava e rasgava logo. A vida era dura com nossos pais, mas a gente se divertia, muito.

     

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    terça-feira, 13 de abril de 2010

    Memória: Antiga Rodoviária de São Paulo

    Chafariz na área de EmbarqueChafariz Rodoviária Antiga
    Origem da foto: Ônibus Brasil.com

    A gente chegou? A resposta positiva depois de uma viagem que parecia não ter fim era recebida com alívio e excitação por quem repetia essa mesma pergunta a cada parada. Uma curta caminhada entre bolsas e malas, por um corredor de espelhos onde ambulantes fantasiados de palhaço vendiam balões enormes, bonecos, marionetes e a tabuada, num livrinho pareciado com literatura de cordél, dava acesso a um ambiente que sempre me surpreendia. Tevês à cores pendiam nas colunas, pastilhas coloridas brilhavam nas paredes e no piso. No teto, a explosão de cores e formas geométricas da cobertura de aço e acrílico disputava a atenção com todo o resto.  Abaixo dessa cobertura, uma multidão.

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    sábado, 16 de maio de 2009

    O Dia Em Que São Paulo Parou

    Ataque PCC

    “Mas eis que de repente, foi dado um alerta
    Ninguém saía de casa e as ruas
    ficaram desertas”

    Trecho de Cinca Chambord do Camisa de Vênus

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    Há três anos, uma onda de atentados a ônibus, bancos e postos policiais parou a cidade de São Paulo. Era 15 de Maio de 2006, uma Segunda-feira, dia útil.
    Como fazia toda manhã, neste dia também acordei cedo e fui trabalhar. Nas ruas quase nenhum carro, nas calçadas, ninguém. A loja abriu normalmente às 8 horas da manhã, a padaria e o bar ao lado já estavam abertos, mas não havia clientes. Às nove abriram os mercados e outras lojas, mas o transporte coletivo não estava circulando. Ás 10 horas alguns passantes vieram avisar que o comércio estava fechando. Ninguém mandou fechar, mas havia muitos boatos e a polícia desapareceu. Meu gerente tentou ligar para o 190 para saber se seria seguro manter a loja aberta. Em vão. Na linha só o sinal de ocupado.
    Perto do Meio-dia mais lojas haviam fechado. Sem polícia, a quem recorrer se algo pior acontecer? Antes da 1h da tarde a loja fechou. Todas fecharam.
    Em casa, diante da TV, era difícil acreditar no que estava acontecendo. A metrópole de 20 milhões de habitantes estava de joelhos. Nada funcionava, nem as delegacias. O governador Claudio Lembo e o comando das polícias civil e militar davam informações confusas e desencontradas, mas insistiam que tudo estava sobre controle. Sobre controle? Geraldo Alckmin, licenciado do cargo para disputar as eleições presidenciais, sumiu. Onde estava? Ninguém sabe, ninguém viu.
    Se a polícia desapareceu das ruas, nas periferias homens encapuzados, fortemente armados, semeavam a morte em vilas e vielas abandonadas por Deus e pelo Estado. Quando o dia amanheceu o saldo de mortos já estava na casa das dezenas, alguns falavam em centenas, todas de supostos integrantes do PCC. Nunca saberemos quantos foram.
    A Terça-feira ensaiou ser um dia normal, apesar da tensão, e ninguém falava de outra coisa. Mas as eleições estavam próximas, um certo candidato poderia ser prejudicado. Melhor esquecer o assunto, falar de outra coisa. Quem sabe sobre algum dossiê? E todos esqueceram. Mas de vez em quando alguém se lembra.

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    terça-feira, 31 de março de 2009

    Golpe de 64: 45 Anos


    À Nação

    É indispensável fixar o conceito do movimento civil e militar que acaba de abrir ao Brasil uma nova perspectiva sobre o seu futuro. O que houve e continuará a haver neste momento […] é uma autêntica revolução. A revolução se distingue de outros movimentos armados pelo fato de que nela se traduz, não o interesse e a vontade de um grupo, mas o interesse e a vontade da Nação.
    Com essas palavras o Ato Institucional N°1 oficializava um regime ditatorial instaurado a 45 anos com um golpe militar, e colocava fim a Democracia no Brasil. É importante lembrar que o Golpe foi realizado em nome da Democracia e teve o apoio da opinião pública. A memória de uma sociedade civil mobilizada contra a Ditadura, retratada principalmente no período pós 1968, não foi uma realidade em 1964. E não é difícil entender por quê.
    Durante o conturbado Governo de João Goulart, o Jango, a participação política deixava de ser exclusividade de uma elite proprietária e de uma intelectualidade letrada para ocupar campos, fábricas, universidades e Igrejas, onde setores progressistas se alinhavam aos movimentos sociais. Soma-se a este caldeirão em ebulição um país em crise, Inflação em alta, desabastecimento, recessão e um presidente sem apoio político que, para ganhar legitimidade, promete um amplo programa de reformas sociais.
    Agora imagine tudo isso em plena Guerra Fria, um EUA assombrado pela Revolução Cubana e uma elite nacional que recém havia retomado o país das mãos de Getúlio e já temia perdê-lo novamente para outras forças sociais. O Golpe de 64 foi uma forma desesperada de desmobilizar as organizações de classe e impedir qualquer reforma social que ameaçasse privilégios consolidados. O que não conseguiriam pelo voto, tomaram de assalto.
    Esses setores continuam influentes e, apesar da conjuntura ser outra, o espírito golpista sobrevive, com outras formas, mas ainda se escondendo atrás de um discurso democratico. Hoje a nossa Democracia parece consolidada, mas toda vigilância é pouca.

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    domingo, 8 de março de 2009

    Um Brinde Às Mulheres!

    Como definir a mulher? Essa não é uma tarefa simples, mas já foi mais fácil. Não faz muito tempo ser mulher era ser mãe, esposa, boa filha; ser frágil, submissa, obediente, religiosa. Claro que esse era o modelo da mulher ideal. Havia outros como o da amante; bela e sensual, sem muitos pudores, mas ainda assim, dedicada ao seu, ou aos seus, homens. Modelos criados por uma sociedade machista, ainda que reproduzidos e impostos também por mulheres, como a Rainha Inglesa, Vitória.
    A Revolução Industrial, e a revolução dos costumes que se seguiu à ela, produziu outros modelos femininos. Aos poucos a mulher foi assumindo o papel de protagonista numa sociedade que apenas dava a ela o papel de coadjuvante. Num desses protagonismos cento e trinta operárias de uma fábrica de Nova Iorque morreram carbonizadas enquanto lutavam por melhores condições de trabalho e pela equiparação dos salários aos dos homens, até quatro vezes maiores. Isso aconteceu em 08 de Março de 1857, mas foi somente em 1975 que a data foi oficializada pela ONU como o Dia Internacional da Mulher.
    De lá pra cá, as mulheres já queimaram sutiãs, tomaram postos de trabalho dos homens, foram para a política, para a guerra, levantaram fuzis e bandeiras de paz. E continuaram sendo mães, esposas, filhas, amantes. Agora como opção, uma, entre outras.
    Não há como definir a mulher, nem devemos tentar, pois, como autoras da sua própria vida, cada uma delas constrói a sua própria identidade sem precisar seguir modelos impostos ou esperados por ninguém, a não ser por elas mesmas.
    Parabéns mulheres! E um brinde especial às minhas companheiras de copo!

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    sábado, 13 de dezembro de 2008

    AI-5 - 40 anos

    AI 5
    Há quarenta anos, em 13 de Dezembro de 1968, o AI-5, Ato Institucional número cinco, colocava fim ao que ainda restava de liberdade e direitos após o Golpe Militar de 1964, dando ao presidente plenos poderes para intervir nos estados e municípios; cassar mandatos; confiscar bens e suspender todas as garantias e liberdades individuais. No mesmo dia o Congresso Nacional foi fechado.
    Desde os primeiros dias do Golpe os militares desejavam endurecer o regime, mas até 1968 não encontravam um motivo que lhes desse legitimidade, apesar de alguns atentados promovidos pela oposição. Nesse ano, acompanhando o que acontecia no resto do mundo, os estudantes brasileiros organizaram grandes manifestações, e logo ganhariam o apoio da sociedade pela democratização. Mesmo com forte repressão e prisões, os militares temiam estar perdendo o controle da situação.
    Ao fazer um discurso pedindo às moças brasileiras que seguissem o exemplo das mulheres atenienses lideradas por Lisístrata na peça de Aristófaneses, e não namorassem militares, o Deputado Márcio Moreira Alves dá o motivo que eles precisavam. O discurso é recebido como ofensa pelos militares que pedem ao congresso uma licença para processar o Deputado. O Congresso nega e no dia seguinte o governo baixa o AI-5.
    É muito importante preservar a memória deste dia, até porque somos um país que ainda dá pouco valor a democracia. Se hoje podemos nos expressar livremente, inclusive por meio de um blog, como faço agora, ir e vir sem dar satisfações, participar ou não da política, protestar, e o mais importante: Recorrer à justiça em caso de desrespeito a essas liberdades, é porque brasileiros lutaram, e alguns até morreram, para nos legar esses direitos. Não devemos esquecer disso nunca!

    Technorati Marcas: ,

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    quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

    Declaração Universal dos Direitos Humanos - 60 Anos

    ano60a


    Dezembro é um mês de datas importantes, a mais conhecida é o Natal, mas outras também devem ser lembradas. A exatos sessenta anos, em 10 de Dezembro de 1948, era assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
    O mundo ainda vivia sob o choque das atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial. Dos dois lados do conflitos foram praticadas violências inimagináveis para uma humanidade que, se pensava, havia atingido um alto grau de civilização. Foi neste ambiente que a Declaração dos Direitos Humanos foi assinada pelos países membros da ONU, inclusive pelo Brasil.
    Apesar de ser uma das maiores conquistas da humanidade, falar sobre direitos humanos nem sempre é fácil, ao contrário, este é um tema espinhoso que ainda gera muita discussão. A verdade é que pouca gente compreende, ou quer compreender, o que são os Direitos Humanos Universais e qual é a sua natureza. Ainda prevalece a máxima: Direitos Humanos para humanos direitos, como se existisse a possibilidade de aceitar o cumprimento de alguns direitos e a negligência de outros. Os trinta artigos são complementares. Um Estado que nega o direito de alguns cidadãos a um lar digno, saúde, educação, trabalho e renda suficiente para manter uma família não conseguirá, por exemplo, garantir,outro direito universal aos demais cidadãos, o direito a segurança.
    Muito ainda falta concretizar, mas muitas conquistas foram alcançadas. Há apenas seis décadas não havia nenhum compromisso das nações em respeitar os direitos básicos dos seus cidadãos, hoje esse compromisso está registrado por escrito, ainda que de formas diferentes, em quase todas as constituições do mundo. Por si só, isso já merece um brinde!


    Technorati Marcas: Direitos Humanos

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