Memórias de São Paulo
Hoje, São Paulo completa 457 anos. A cidade foi fundada por padres jesuítas em 1554, no dia dedicado a São Paulo Apóstolo, numa pequena colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú. O primeiro teve seu curso desviado em 1890 para além do atual Parque Dom Pedro. Do segundo restou apenas o nome do vale que separa o Centro Velho do Novo. O rio Anhangabaú foi canalizado no início do século XX para a construção do parque do Anhangabaú, uma grande e bela área verde que daria lugar, nos anos 40, a um também grande, mas não tão belo, estacionamento para automóveis. Na década seguinte, nos anos 50, o vale histórico seria reduzido a apenas um trecho da Avenida 23 de Maio. A via expressa ainda está lá, mas desde 1992 passa por debaixo do Vale Anhangabaú, agora transformado, novamente, em praça. Em 2006, prefeitura da cidade manifestou o desejo de devolver a atual praça aos automóveis, por enquanto sem sucesso.
Até a inauguração da primeira Estação da Luz, a principal porta de entrada para a capital paulista era o Largo do Piques por onde se chegava vindo pelo Vale do Anhangabaú. Ali existia uma "bica d'água" que matava a sede da cidade e das tropas de mulas que chegavam de várias regiões. Devido a importância estratégica do lugar o governo mandou construir ali, em 1814, um chafariz e um monumento, o obelisco do Piques, erguido "Em memória ao zelo do bem público", daí a origem do nome atual do Largo. A história do monumento pode ser encontrada neste site da prefeitura, o mesmo que convida empresas privadas a adotar o monumento e cuidar da sua manutenção, que aliás, é bem falha. Parece que o zelo pelo bem público ficou apenas na memória.
Em 1922, em comemoração ao centenário da Independência, o largo da Memória ganhou um charmoso projeto paisagístico com um belo conjunto de escadarias e um painel de azulejos representando a antiga parada de mulas.
O tempo passou, a cidade continuou crescendo e o Largo da Memória foi ficando esquecido. Passando pelo local não encontrei nenhuma placa que informasse aos poucos transeuntes que estão diante de uma antiga porta de entrada para a cidade e de um monumento erguido há duzentos anos, o primeiro da cidade. Também não há qualquer informação sobre a centenária figueira que existe ao lado do monumento, a arvore também é tombada pelo patrimônio Histórico, mas está igualmente mal cuidada e cercada de lixo.
Abaixo um vídeo do grupo Rumo cantando ladeira da Memória, produzido no início dos anos 80, quando a Ladeira da Memória ainda era um lugar movimentado.
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