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  • Conversas de Bar sobre "Sociedade":
  • quarta-feira, 3 de novembro de 2010

    Dilma Eleita!

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    Foi com muita satisfação que recebi a confirmação da vitória de Dilma como a primeira mulher a ocupar o cargo de Presidente do Brasil, uma conquista não apenas para as mulheres, mas para todos os brasileiros que votaram pela continuidade de um governo que, com todas as críticas que podem e devem ser feitas a ele,  cuidou dos interesses daqueles que realmente precisam do Estado, os mais pobres e vulneráveis, sem , contudo _ e isso sim foi uma grande frustração _, prejudicar os interesses das classes tradicionalmente privilegiadas. Mas uma parte dos eleitores do Serra não soube lidar com a derrota e partiu para  ataques de verdadeira xenofobia contra os brasileiros do Norte e do Nordeste a quem atribuiram a "culpa" pela derrota do seu candidato. A onda de ódio que se alastrou pelos sites de redes sociais como o Twitter.  
    Parte da imprensa forneceu combustível a esta onda ao afirmar que o Brasil saiu dividido dessas eleições: De um lado um Norte/Nordeste pobre e dilmista e de outro um Centro-Sul rico e serrista. Dividido? Acompanhando o mapa eleitoral elaborado pelo jornal O Estado de São Paulo podemos constatar que essa tese não se sustenta. Na maioria dos municípios onde Serra venceu,  a diferença de votos dele para Dilma não foi  tão expressiva. Basta dizer que, somado os votos da região como um todo, Serra perdeu também no Sudeste.
    Se os serristas querem acreditar que Dilma venceu por culpa dos Nordestinos, prefiro dizer (só por provocação) que ela venceu graças a eles. Claro que a maioria dos eleitores de Serra não compartilha nem aprova esse tipo de comportamento, mas depois de uma das campanhas mais sujas da nossa história, essa reação virulenta só comprova que a vitória de Serra seria uma temeridade. Como provocação ouso dizer que o dia 31 de Outubro de 2010 deveria entrar para a história como o dia em que o Nordeste salvou o Brasil.

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    domingo, 25 de julho de 2010

    As Declarações de Stallone Sobre o Brasil

    Conversa de Bar
    Durante a divulgação do seu mais recente trabalho, o filme “Os mercenários”, rodado no Rio de Janeiro, o ator Sylvester Stallone fez alguns comentários nada elogiosos sobre os brasileiros. No primeiro, sobre a disposição dos fluminenses em colaborar com a produção do filme, disse que “Você pode explodir o país inteiro e eles vão dizer obrigado, e aqui está um macaco para você levar de volta para casa”. Em seguida debochou do símbolo ostentado pelo B.O.P.E., a polícia de elite do Rio de Janeiro: “Os policiais de lá usam camisetas com uma caveira, duas armas e uma adaga cravada no centro; já imaginou se os policiais de Los Angeles usassem isso? Já mostra o quão problemático é aquele lugar”.
    O comentário infeliz do autor repercutiu forte por aqui e não faltaram críticas indignadas na imprensa e na internet, sobretudo no Twitter. Diante da repercussão negativa, e para não atrapalhar a bilheteria do filme no Brasil, Stallone não demorou a se retratar, pediu desculpas aos brasileiros e terminou por lançar elogios a esse “grande país”.
    As autoridades brasileiras costumam dispensar um tratamento muito especial a celebridades internacionais que passam pelo país. Recentemente a cantora Madona circulou pelas ruas do Rio e de São Paulo escoltada por batedores da polícia militar e ainda foi recepcionada no Palácio dos Bandeirantes com pompa e circunstância que fariam inveja a chefes de Estado em visita oficial ao país. Fãs tem todo o direito de expressar carinho e admiração pelo seu pop star favorito, e as autoridades a obrigação de lhes garantir a segurança devida _ como a qualquer cidadão, aliás _ , mas tietagem de Estado tem limite. Não acompanhei a estadia de Sylvester Stallone no Rio, mas talvez a “atenção especial” que a equipe de filmagens recebeu das autoridades tenha impressionado o ator a ponto de motivar o primeiro comentário.
    Quanto ao segundo comentário, Stallone tem toda razão. O símbolo usado pelo B.O.P.E., mesmo não representando a corporação como um todo, indica uma distorção da imagem que a policia deveria ter. Uma caveira transpassada por uma espada e cruzada por duas pistolas só representa duas coisas, violência e morte, além de muito mal gosto, claro.
    Provavelmente o ator estadunidense nem tomou conhecimento do caveirão, uma viatura blindada que a tropa de elite do Rio usa para “patrulhar” os bairros populares da cidade maravilhosa ao som da mesma melodia tétrica dos filme de Freddy Krueger, provocando terror na população, sobretudo nas crianças. Algo do tipo: “Corre, corre, o caveirão vai te pegar…; Dá no pé, mané; corre pra morrer, corre!; Não adianta, correr, o caveirão vai te pegar…. Ou ainda: “Sou guerreiro do B.O.P.E. e não admito falha, vou te meter bala e te mandar para a vala”; “O caveirão ta na favela, invadiu o morrão, Vamos te meter bala e não é perdida, não!”. Não precisa ser de hollywood para ver nestas coisas indícios de uma sociedade problemática. Um desses singelos jingles pode ser ouvido aqui.
    Eu também não gosto quando falam mal do meu país, mas acho que não devemos dar tanta importância a opinião de celebridades, mesmo de um Stallone. Deixemos que os fãs brasileiros se entendam com eles.

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    quinta-feira, 24 de junho de 2010

    #DiaSemGlobo

    dunguinhq

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    domingo, 13 de junho de 2010

    Copa do Mundo: Difícil Ficar Alheio

    Parada 2010 038

    Copas do Mundo não me empolgam muito. Tirando o nome do país sede costumo ignorar quase todo o resto, como o nome de países participantes e dos principais jogadores. Nem sempre foi assim. Guardo até hoje figurinhas da Copa de 1986, a primeira que acompanhei sabendo o que era uma Copa do Mundo, e ainda me lembro de alguns jogos, principalmente aquele em que fomos derrotados pela Itália. Chorei neste dia. 
    Lembro com carinho da Copa de 1990, a primeira que eu acompanharia do trabalho. A seleção jogava mal _ muita técnica e pouca graça _ e a derrota para a Argentina não chegou a me tirar lágrimas, talvez porque o otimismo não era geral nem contagiante. Durante um dos jogos alguma agência, ou sei lá o que, aproveitou as ruas vazias para tirar fotos prá lá de eróticas em plena rua Henrique Schaumann. Assim que foram descobertos a molecada esqueceu o jogo para ver as garotas que tiravam a roupa bem debaixo do nosso terraço, mas a algazarra foi tanta que elas logo foram embora. Impressionante o poder da atração que a Copa exerce nesta Pátria  de Chuteiras, capaz de parar uma cidade como São Paulo!
    A Copa de 1994 teve o mérito de diminuir as vantagens contadas pela geração dos meus pais. A deles já tinha visto o Brasil ser campeão três vezes, a minha nenhuma. Vencemos a Itália nos pênaltis, mas vitória é vitória e lá estava eu, na Paulista agitando a bandeira do Brasil. Foi o primeiro porre da minha vida.
    Apesar da conquista do tetra-campeonato foi por esta época que a escalada de violência nos estádios e as denúncias de corrupção nos clubes, que indicavam algo de muito podre no Reino da Bola, enfraqueciam meus instintos de torcedor. O mesmo iria acontecer em relação a Seleção Brasileira nas copas seguintes. Mas devo confessar que é quase impossível ficar indiferente. As bandeirinhas, o colorido das ruas, o barulho, acabam criando um clima especial. Um dia antes da cerimônia de abertura  meu sobrinho pediu minha ajuda para pintar a bandeira brasileira no asfalto. Quem sabe este ano eu não tomo  outro porre?

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    quinta-feira, 13 de maio de 2010

    13 de Maio – Dia Nacional de Luta Contra o Racismo

    racismo_nao

    Racismo a Brasileira
    Sempre que se fala em cotas raciais ou em políticas de ação afirmativa alguém argumenta que essas medidas aprofundariam o racismo em vez de combate-lo, ou ainda que a adoção de cotas raciais fere o caráter republicano da nossa constituição ao privilegiar alguns indivíduos apenas pela cor da sua pele,  argumento que, na verdade, pode estar escondendo o desconforto com a possibilidade de um branco ser preterido em favor de um negro, já que o contrário ocorre todos os dias sem causar tanta indignação.
    Claro que muitas pessoas contrárias a política de cotas raciais _ incluindo mititantes de movimentos negros _ tem bons argumentos para defender essa posição, mas falar sobre desigualdades raciais no Brasil e sobre racismo ainda é mais fácil que falar sobre a adoção de politicas que diminuam essas desigualdades. Isso talvez seja reflexo do modo como o brasileiros encara o racismo praticado no país. Embora reconheça a existência do racismo ele mesmo, como indivíduo não se considera racista. 
    Numa pesquisa realizada na cidade de São Paulo em 1988, 97% dos entrevistados disseram que não tinham qualquer preconceito de cor, mas 98% disseram conhecer alguém das suas relações (familiares, amigos) que tinham preconceitos de cor. Vinte anos depois, em 2008, outra pesquisa do Datafolha mostrou que a situação não mudou muito. 91% dos entrevistados brancos disseram que os brasileiros têm preconceito de cor com relação aos negros, mas apenas 3% deles admitiram ter preconceito contra negros.
    O 13 de Maio deve ser aproveitado para repensar essa nossa sociedade, multicolorida nas ruas, mas desconcertantemente branca nos melhores empregos, na TV, na moda, na política, nos altos cargos de empresas públicas e privadas e nos altos indicadores de nível social e econômico.

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    quarta-feira, 12 de maio de 2010

    13 de Maio

    2010-05 (mai)
    No dia 13 de Maio de 1888 o Parlamento Brasileiro aprovava, por ampla maioria, a lei que colocaria fim a quase quatrocentos anos de escravidão no Brasil. O anúncio foi feito em meio a maior festa popular que o Império jamais conheceu. Não era para menos. A lei Áurea coroou os esforços dos milhares de brasileiros que se engajaram na causa abolicionista, a primeira grande mobilização popular da nossa história. Evidentemente ainda havia quem defendesse a manutenção da escravidão por mais alguns anos, mas mesmo estes compreendiam que seu fim era inevitável. Mas por que o 13 de Maio não foi eleito pelos movimentos negros como símbolo da resistência à escravidão?
    A resposta é simples: Uma vez assinada a Lei Áurea os ex-escravos foram deixados a própria sorte e o que era para ser um marco no exercício pleno da cidadania se tornou um grande programa de desemprego em massa. Ao longo do tempo a participação ativa dos negros no processo abolicionista foi apagada da história oficial e o 13 de Maio acabou lembrado como um ato de compaixão da elite branca. Nada mais falso.
    A elite da época somente aderiu à causa abolicionista quando ficou claro que não havia outra alternativa. A charge acima, publicada por Ângelo Agostini em 1887 na Revista Ilustrada, mostra claramente que o sistema escravista se desintegrava a olhos vistos: “Enquanto no Parlamento só se discursa e nada se resolve, os pretinhos raspam-se com toda ligeireza. Os fazendeiros não conseguem segurá-los.”, dizia a legende da charge. Muito antes da assinatura da lei Áurea pela Princesa Isabel, os negros brasileiros já haviam decidido que não seriam escravos de mais ninguém.

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    O Negro No Brasil Pós-Abolição

    por Maria José Caldas

    O fim da Escravidão foi o resultado de um lento processo que na verdade procurou escamotear a dinâmica das transformações econômicas em curso, representadas na segunda metade do século XIX pela lavoura cafeeira, mais bem integrada ao capital internacional, pelo conjunto de transformações políticas decorrentes do processo de descolonização do continente americano e pela crescente presença do imperialismo inglês sobre os países do Cone Sul. Mas existe um ponto a ser esmiuçado: É necessário lançar um olhar sobre a condição do “negro” após a abolição. Para onde foram quando deixaram as fazendas? Qual foi a política desenvolvida na época para que pudessem construir suas vidas de forma digna e independente? 

    A resposta a estas questões explica a atual situação vivida hoje por grande parte dos negros no Brasil. O estigma da escravidão representava uma desvantagem na disputava por trabalho com os imigrantes portugueses, espanhóis e italianos _ também analfabetos _ que chegavam para “fazer a América”. Ao negro não restou nem a garantia do trabalho mais pesado, foram entregues à própria sorte.

    As mulheres negras continuaram fazendo trabalhos serviçais pouco remunerados como lavadeiras, copeiras, empregadas domesticas. Mas foi este trabalho que permitiu à mulher negra manter sua prole e contribuiu para que não houvesse a absoluta desintegração das famílias negras. Com a consolidação da República os sucessivos governos se entregaram ao projeto de branqueamento e de europeização do Brasil legando aos negros as sobras do desenvolvimento da nação.

     

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    sábado, 1 de maio de 2010

    Dia do Trabalho: Entre o Passado e o Futuro

    Operários Tarsília do Amaral
    Quando eu comecei a trabalhar, lá pelos idos de 1988, eram comuns artigos de jornais e revistas que pintavam um futuro cor de rosa para os trabalhadores. Naquela época _ e nem faz tanto tempo assim _ havia quem acreditasse que o desenvolvimento de novas tecnologias permitiria ao homem trabalhar menos e dedicar mais tempo a educação, a cultura e ao lazer, seja sozinho, entre amigos ou em família. Eu ainda cursava a 8ª série do antigo 1º grau e torcia para que esse futuro chegasse logo.
    Mas os anos seguintes não foram nada cor de rosa. Operários robôs assombravam as linhas de produção no início dos anos 90 e os trabalhadores  passariam a trabalhar cada vez mais e a ganhar cada vez menos para não serem substituídos pelas máquinas. O capitalismo parecia ter esgotado sua capacidade de gerar novos empregos, mas as alternativas a ele desapareceram com o desmoronamento da União Soviética. A globalização deslocava os empregos existentes para onde a mão de obra era mais barata e menos protegida enquanto a classe trabalhadora se desorganizava os sindicatos perdiam força. O futuro do trabalho parecia cada vez mais sombrio. Não por muito tempo.

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    sexta-feira, 23 de abril de 2010

    Dia Mundial do Livro

    livros 1

    *Este post foi escrito no dia 23, nas uma queda de energia que durou horas impediu que fosse publicado na data. Aqui vai ele:

    23 de Abril é o Dia Mundial do Livro, uma homenagem da ONU a Miguel de Cervantes, o  autor do Dom Quixote de la Mancha. O Brasil também celebra o livro em datas especiais: dia 29 de Outubro é o Dia Nacional do Livro; 27 de fevereiro o dia Nacional do Livro Didático e 18 de Abril, aniversário de Monteiro Lobato nascido em 1882, o Dia Nacional do Livro Infantil. É dele a frase: “Um país se faz com homens e livros”. 
    Dele também quase foi o primeiro livro que li na vida, ainda na primeira série. O livro veio parar em minhas mãos numa seleção para leitura da escola. Eu estava de olho em outro, mas alguém foi mais rápido  e eu acabei  levando “O Saci” para casa, satisfeito até, porque adorava o Sítio do Pica Pau Amarelo. Infelizmente não foi um bom primeiro contato, mal consegui ir além das figuras. Por sorte a professora guardava uma adaptação para crianças de “A Menina e o Vento”. E este sim, foi meu primeiro livro. Não escondo que fiquei constrangido por ficar com um livro de meninas, mas é incrível como ainda me lembro da história e das ilustrações. E já se passaram quase trinta anos!

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    sábado, 17 de abril de 2010

    Igreja Católica: Uma Barca a Deriva

    Bandeira do Vaticano
    bandeira do Vaticano
    Origem da Imagem: http://consagração.com/

    Aviso aos navegantes: A Barca de São Pedro encontra-se à deriva num oceano de escândalos e segue em rota de colisão contra as liberdades religiosas, os direitos das mulheres, dos homossexuais, contra a democracia, a tolerância, o convívio harmonioso entre os povos e o direito à informação sobre formas de planejamento familiar e de prevenção contra o HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis.
    Não é de hoje que a Igreja Católica dá sinais de que perdeu completamente a capacidade de enfrentar seus próprios problemas,  preferindo eleger bodes expiatórios para preservar sua santidade.  É o caso da recente condenação da Igreja ao sincretismo religioso praticado no Brasil e da infeliz _ e irresponsável _ declaração de um cardeal da Santa Sé atribuindo ao homossexualismo os crimes de pedofilia praticados pelos seus padres ao redor do mundo, como se uma coisa tivesse relação com a outra. Sobre esse assunto recomendo a leitura deste excelente posto do Thiago Leite na sua Teia Neuronial.

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    domingo, 17 de janeiro de 2010

    Campanha Nota 10

    nota zeroQuem já não justificou ter assistido um programa com a desculpa de que não tinha nada mais interessante passando na TV? A campanha Troque o BBB Por Um Livro _ #troqueoBBBporumlivro_, divulgada no Twitter, vai enfraquecer essa desculpa. 
    Hoje eu não implico tanto com o Big Brother ou programas afins _ nem com quem acompanha esses programas _ como fazia antes. Tudo bem, ainda considero que é ruim, que é perda de tempo, mas não deixa de ser um entretenimento para milhões de telespectadores que se auto-anestesiam por alguns minutos das agruras do dia-a-dia.  Não deixa também, é claro, de ser uma boa fórmula _ importada já pronta das TVs estadunidenses _ para as emissoras ganharem dinheiro, o que elas sabem fazer muito bem.  Posso mudar de idéia,  mas hoje eu acredito que, por pior que seja o programa, sempre dá pra tirar alguma coisa que preste, mesmo que seja somente uma lição sobre o que não assistir. O engraçado é que passei a ser mais tolerante justamente depois que parei de assistir TV.
    Quem acompanha o BBB-10 por falta de coisa melhor pra fazer, siga a sugestão do pessoal no Twitter e leia um livro. Pode ser muito mais interessante e faz bem para o cérebro. 
    Participe e indique um livro!

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    quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

    Retrospectiva: 2009 pelo Conversa de Bar.net


    Neste mês de Dezembro o Conversa de Bar completou seu primeiro ano de vida. Como a data é especial peço licença para escrever um  post bem maior que os normalmente publicados aqui, Para   isso vou abrir mão do recurso do Blogger para resumo de postagens. Para ler o post inteiro é preciso  clicar no título.
    Foram 87 artigos sobre temas diversos, desde uma receita para evitar a ressaca do dia seguinte, e que ainda pode ser muito útil após a festa da virada, até assuntos mais sérios como a degeneração moral da imprensa nacional. Neste quesito, que inclui todos os grandes veículos privados de informação,  a Folha de São Paulo desempenhou o triste papel de protagonista principal _ mas não o único _, com destaque para o editorial de 17 de Fevereiro, que se referiu ao Regime Militar como uma "Ditabranda". Cidadãos, amigos e familiares das vítimas da Ditadura se reuniram em em frente à sede da Folha em repúdio ao editorial.  Não bastasse isso a credibilidade do jornal desceu ladeira abaixo com a publicação de uma suposta ficha criminal _ comprovadamente falsa_ , dos tempos da Ditadura, da então Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff e provável candidata do Presidente Lula ao Planalto.

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    domingo, 21 de junho de 2009

    Na Escola

    Capitalismo x Socialismo Na última quinta-feira fui convidado a assistir a um debate entre alunos do 3º ano do Ensino Médio sobre Capitalismo e Socialismo. O debate, quase um julgamento, foi uma iniciativa da professora de Português, que propôs a divisão da classe em duas turmas, cada lado defendendo o sistema econômico que considerassem o melhor.

    Cheguei na metade da aula, num momento de discussões inflamadas. A regra era não interferir, para não beneficiar nem prejudicar um ou outro grupo. Os “defensores do Capitalismo” aproveitaram muito bem os argumentos a seu favor. O mérito foi um deles, quem se esforça garantiria seu lugar ao Sol. Outro foi a competição, algo inerente ao sistema capitalista, motor do progresso tecnológico que resultaria em mais conforto e bem estar para as pessoas, além de novos produtos e serviços que, com a concorrência, ficariam cada vez melhores e mais baratos. A inovação e o desenvolvimento resultariam em mais empregos. A liberdade foi outro argumento bem explorado pelo lado capitalista. Liberdade de escolher entre vários produtos, de escolher a própria profissão, liberdade de ir e vir, de dizer o que pensa. As experiências socialistas do século XX, como a Coréia do Norte, Cuba e China, foram utilizadas contra o lado "socialista".

    Do lado “Socialista” os argumentos mais explorados foram a distribuição de renda e os investimentos na área social, principalmente em educação e saúde. As desigualdades provocadas pelo capitalismo, que exclui parcela importante da população dos “benefícios” apontados por seus “defensores”, foi outro ponto reforçado por eles.

    Durante as discussões pude perceber o quanto é fácil defender o Capitalismo e o quanto é difícil desnudar suas contradições. Apesar dos “socialistas” terem demonstrado maior conhecimento sobre o tema, em vários momentos os “Capitalistas” os deixaram sem argumentos, como quando recorreram à evolução da internet, dos celulares, da variedade de produtos e empregos para demonstrar a superioridade desse sistema.

    Para os dois grupos faltou preparação. Com um pouco mais de conhecimento seria possível desmontar a maioria dos argumentos utilizados por cada lado, mas isso não foi culpa deles. No geral o debate foi bom.

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    sábado, 16 de maio de 2009

    O Dia Em Que São Paulo Parou

    Ataque PCC

    “Mas eis que de repente, foi dado um alerta
    Ninguém saía de casa e as ruas
    ficaram desertas”

    Trecho de Cinca Chambord do Camisa de Vênus

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    Há três anos, uma onda de atentados a ônibus, bancos e postos policiais parou a cidade de São Paulo. Era 15 de Maio de 2006, uma Segunda-feira, dia útil.
    Como fazia toda manhã, neste dia também acordei cedo e fui trabalhar. Nas ruas quase nenhum carro, nas calçadas, ninguém. A loja abriu normalmente às 8 horas da manhã, a padaria e o bar ao lado já estavam abertos, mas não havia clientes. Às nove abriram os mercados e outras lojas, mas o transporte coletivo não estava circulando. Ás 10 horas alguns passantes vieram avisar que o comércio estava fechando. Ninguém mandou fechar, mas havia muitos boatos e a polícia desapareceu. Meu gerente tentou ligar para o 190 para saber se seria seguro manter a loja aberta. Em vão. Na linha só o sinal de ocupado.
    Perto do Meio-dia mais lojas haviam fechado. Sem polícia, a quem recorrer se algo pior acontecer? Antes da 1h da tarde a loja fechou. Todas fecharam.
    Em casa, diante da TV, era difícil acreditar no que estava acontecendo. A metrópole de 20 milhões de habitantes estava de joelhos. Nada funcionava, nem as delegacias. O governador Claudio Lembo e o comando das polícias civil e militar davam informações confusas e desencontradas, mas insistiam que tudo estava sobre controle. Sobre controle? Geraldo Alckmin, licenciado do cargo para disputar as eleições presidenciais, sumiu. Onde estava? Ninguém sabe, ninguém viu.
    Se a polícia desapareceu das ruas, nas periferias homens encapuzados, fortemente armados, semeavam a morte em vilas e vielas abandonadas por Deus e pelo Estado. Quando o dia amanheceu o saldo de mortos já estava na casa das dezenas, alguns falavam em centenas, todas de supostos integrantes do PCC. Nunca saberemos quantos foram.
    A Terça-feira ensaiou ser um dia normal, apesar da tensão, e ninguém falava de outra coisa. Mas as eleições estavam próximas, um certo candidato poderia ser prejudicado. Melhor esquecer o assunto, falar de outra coisa. Quem sabe sobre algum dossiê? E todos esqueceram. Mas de vez em quando alguém se lembra.

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    sexta-feira, 15 de maio de 2009

    Mega Não ao AI-5 Digital

    Olho

    Não consegui chegar a tempo para o Ato contra o AI-5 Digital, como está sendo chamado o Projeto de Lei 84/99, do Senador Eduardo Azeredo, do PSDB. O Ato reuniu centenas de pessoas e contou com apoios importantes, como o do Senador Eduardo Suplicy, do PT. Saí do bairro onde trabalho um pouco antes das seis da tarde, já bem atrasado, e de ônibus. Além da habitual demora entre as baldeações ainda fui surpreendido pela chuva e pelo trânsito que se seguiu a ela. Só consegui chegar à Av. Paulista às 20H30. Desisti.

    A comparação com o AI-5 choca, foi feita para chamar a atenção das pessoas, mas não é a toa. O Projeto mantém pontos que podem dar margem a interpretações e no futuro podem servir à interesses de corporações econômicas e grupos políticos. Práticas que hoje são comuns no dia a dia, como a troca de arquivos, o compartilhamento de conteúdo e a transferência de dados entre mídias, como entre o PC e um Pen Drive, serão criminalizadas e a existência de sites colaborativos, bem como a de redes abertas de banda larga, ficarão inviáveis, o que vai encarecer as políticas de inclusão digital. Se aprovado os provedores terão permissão para invadir a privacidade de navegação de qualquer internauta suspeito de praticar crimes virtuais. Todo mundo vira culpado até provar o contrário.

    Vale dizer que a mobilização contra este Projeto não representa uma resistência a regulamentação da internet brasileira. Essa regulamentação é necessária e será bem vinda, desde que antes sejam definidos, por lei, quais são os direitos do internauta brasileiro. Regulamentação sim, criminalização, NÃO!

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    segunda-feira, 11 de maio de 2009

    Oriente Médio Em Evidência

    Nos últimos dias as discussões em torno do Oriente Médio e de um Estado Palestino, agora sob a nova configuração das relações internacionais na era Obama, ganharam fôlego extra com as visitas do presidente israelense Shimon Peres aos EUA e do Papa Bento XVI a Israel. Embora tenham poucos efeitos práticos, essas visitas indicam que uma solução para os conflitos na região, por mais espinhosa que seja e por mais que demore, é inevitável.

    Um desses espinhos é retratado nas telas pelo filme Valsa com Bashir, do israelense Ari Folman. Um documentário autobiográfico em animação sobre a busca de Folman por suas memórias da Guerra do Líbano, da qual ele participou, mas não guardou lembrança alguma. Embora não seja um filme político, faz um paralelo entre a crueldades do Holocausto e o massacre de cerca de três mil palestinos por cristãos libaneses nos campos de Sabra e Shatila, do qual ele participou, ainda que indiretamente. O exército israelense não só deu cobertura, fechando as rotas por onde os palestinos poderiam fugir, como iluminou os campos para facilitar o massacre.

    Aproveito para recomendar o excelente post do Thiago Leite no Teia Neuronial sobre o livro Orientalismo, de Edward W. Said, que mostra como o Oriente e o Islã são vistos pelos olhos do Ocidente e pensados como uma região _ e religião _ beligerante, irracional e imprevisível e como esse olhar impede a compreensão não só dos seus problemas, mas de como o Ocidente foi e continua sendo responsável por considerável parte deles.

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    sexta-feira, 8 de maio de 2009

    Diga Não ao AI- Digital. Espalhe essa idéia!



    Dê um MEGANÃO ao Projeto do Senador Azeredo. Conheça a campanha.

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    sexta-feira, 1 de maio de 2009

    Dia do Trabalho ou do trabalhador?

    trabalhadores 3

    Há 120 anos o congresso Socialista de 1889, em Paris, instituía o 1º de Maio como o Dia Internacional do Trabalho. Homenagem aos trabalhadores de Chicago, EUA, mortos durante a greve geral de 1886 enquanto reivindicavam a redução da jornada de 13 para 8 horas, direito à folgas semanais, férias, e a um salário digno. Esta foi apenas uma das muitas batalhas enfrentadas pelos trabalhadores desde que o capitalismo transformou a força de trabalho numa mercadoria abundante e extremamente desvalorizada, apesar de imprescindível para a manutenção do sistema.
    No Brasil, os trabalhadores protagonizaram lutas semelhantes, boa parte delas apagadas dos livros de História, pois não é do interesse de nossas elites que exemplos como estes sejam conhecidos, menos ainda, seguidos. Destaco aqui a greve geral de 1917, em São Paulo, reprimida de forma tão violenta que provocou a fuga para o interior de milhares de moradores da capital, e as greves do ABC, em 1978, que enfrentou o Regime Militar e desencadeou um movimento de resistência que levaria ao fim da Ditadura e à consolidação das leis trabalhistas na Constituição de 1988.
    Hoje, embora esses direitos não alcancem todos os brasileiros, forças políticas e econômicas insistem em atribuir a eles a culpa pelo custo da produção, pela inflação e até pelo desemprego. Ao mesmo tempo, as centrais sindicais, mais comprometidas com os interesses políticos dos partidos a elas coligadas que para os trabalhadores que  deveriam representar, recorrem a sorteios de prêmios e a shows para conseguir a presença dos trabalhadores nos atos públicos promovidos por elas no Dia do Trabalho. Talvez esteja na hora de nos perguntarmos o que estamos fazemos com este legado.

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    sábado, 4 de abril de 2009

    Celebridades da Semana

    A ex-Big Brother britânica, Jade Goody, morta aos 27 anos, de quem eu já falei aqui no Conversa de Bar, foi enterrada hoje pela manhã. Jade criou polêmica ao admitir que venderia os direitos de imagem da sua morte para garantir o futuro dos filhos, o que não chegou a fazer, mas explorou o quanto pode as imagens da sua luta contra um câncer no útero.
    No Brasil, a 9ª edição do Big Brother Brasil entra em sua fase final produzindo novas celebridades, ainda que para a maioria delas a fama não dure mais que alguns meses. O programa sempre recebeu muitas críticas por trazer ao telespectador altas doses de futilidades, mas nem todo mundo pensa assim e o BBB-9 continua líder de audiência nos bate-papos da hora do almoço.

    Lula também se destacou como celebridade mundial na Reunião do G-20, em Londres. Foi o chefe de Estado mais requisitado e ficou ao lado da Rainha Elizabeth II e do 1º Ministro Gordon Brown, na foto oficial do encontro, posição reservada à líderes importantes no cenário mundial. Apesar da crise o país ainda esta numa posição privilegiada. “Quero ser o primeiro presidente brasileiro a emprestar dinheiro ao FMI”. Disse Lula à BBC.

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    quinta-feira, 26 de março de 2009

    Serra e a Lei da Mordaça

    No dia 31 de Março, o Golpe Militar completa 45 anos. Oficialmente o regime terminou em 1985, mas alguns resquícios continuam assombrando a nossa democracia. Um deles é o Estatuto dos Servidores Públicos Civis, conhecido como "Lei da Mordaça", adotado pela maioria dos estados e municípios brasileiros, que proíbe o servidor público de fazer críticas públicas ao governo sob pena de exoneração, ou seja, ser demitido à bem do serviço público. No estado de São Paulo esta proibição consta do artigo 242 do Estatuto.
    Uma das promessas de José Serra durante a campanha para o governo de São Paulo era revogar esse artigo, mas no início deste ano o governador vetou o projeto de lei complementar n° 81/2007, que revogava o artigo 242. Segundo o governo, o veto cumpriu o que determina a constituição do estado, que apenas o executivo deve legislar sobre os servidores públicos. Um novo projeto, nos mesmos termos, deve ser encaminhado à câmera para apreciação dos deputados, mas sua aprovação pode levar meses ou até anos.
    O revogação da Lei da Mordaça por São Paulo era aguardado com entusiasmo, pois serviria como incentivo para iniciativas semelhantes em outras unidades da Federação. Com o veto, os servidores públicos do estado continuam sem direito a liberdade de Expressão.

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