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  • Conversas de Bar sobre "Educação":
  • sexta-feira, 15 de outubro de 2010

    Professor: Um Profissional em Crise?

    quenotas

    Desde 1963, o dia 15 de Outubro foi definido como Dia do Professor. A data deveria marcar o reconhecimento da sociedade brasileira à importância desse profissional para o desenvolvimento do país. Naquela época o professor era mais respeitado, afinal era o detentor do conhecimento, mas o tempo passou, a sociedade mudou e hoje a profissão está em crise.

    Crise aqui não significa decadência, mas mudanças de valores que ainda não foram bem assimiladas por todos os atores sociais e que não são necessariamente ruins _  ou necessariamente boas. Algumas transformações eram inevitáveis. As tecnologias da informação, sobretudo a partir dos anos 90, tiraram do professor a aura de detentor do conhecimento e, junto com ela, a autoridade moral do mestre também se foi. O mesmo aconteceu com outras profissões e com papeis sociais já consolidados no imaginário coletivo.

    A charge acima ilustra bem as mudanças. Se antes os pais ficavam ao lado do professor na hora de cobrar melhores notas do filho, agora quem é cobrado é o professor. É ele quem deve cuidar para que suas aulas sejam interessantes para todos os alunos. Já não é mais suficiente dominar os conteúdos que ensina, mas toda a dinâmica didática necessária para que seu aluno aprenda. Espera-se também que ele acompanhe as atualizações na sua área de conhecimento e que esteja por dentro das teorias pedagógicas do momento. Ao mesmo tempo a autoridade do professor, no sentido tradicional, perdeu legitimidade. A ideia de que o professor é um superior hierárquico dentro da sala de aula não existe mais.

    A estrutura escolar não acompanhou essas transformações e os sistemas de ensino, além de não darem respaldo aos professores para que influíssem neste processo, ainda atribuíram à eles toda a responsabilidade pelo fracasso escolar, como se as políticas públicas que colocam a educação entre suas últimas prioridades não tivessem nada a ver com isso.

    Como conciliar as novas exigências impostas à profissão com as novas limitações também impostas à ela? Não se trata de concordar ou não com essas mudanças, elas estão ai. Cabe aos professores se organizarem na luta pela valorização da profissão e cabe à sociedade definir, não só o papel que o professor deve desempenhar dentro dela, mas quais recursos serão necessários para que ele cumpra efetivamente esse papel. Os valores mudaram, mas a importância do professor não diminuiu. Ainda não é possível construir um país soberano, de cidadãos livres, capazes de conquistar a própria felicidade, sem professores.

    Technorati Marcas: ,

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    domingo, 3 de outubro de 2010

    Recado dos Educadores Paulistas aos Eleitores Brasileiros

    Greve Professores 2010 325 Greve Professores 2010 368

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    sexta-feira, 23 de abril de 2010

    Dia Mundial do Livro

    livros 1

    *Este post foi escrito no dia 23, nas uma queda de energia que durou horas impediu que fosse publicado na data. Aqui vai ele:

    23 de Abril é o Dia Mundial do Livro, uma homenagem da ONU a Miguel de Cervantes, o  autor do Dom Quixote de la Mancha. O Brasil também celebra o livro em datas especiais: dia 29 de Outubro é o Dia Nacional do Livro; 27 de fevereiro o dia Nacional do Livro Didático e 18 de Abril, aniversário de Monteiro Lobato nascido em 1882, o Dia Nacional do Livro Infantil. É dele a frase: “Um país se faz com homens e livros”. 
    Dele também quase foi o primeiro livro que li na vida, ainda na primeira série. O livro veio parar em minhas mãos numa seleção para leitura da escola. Eu estava de olho em outro, mas alguém foi mais rápido  e eu acabei  levando “O Saci” para casa, satisfeito até, porque adorava o Sítio do Pica Pau Amarelo. Infelizmente não foi um bom primeiro contato, mal consegui ir além das figuras. Por sorte a professora guardava uma adaptação para crianças de “A Menina e o Vento”. E este sim, foi meu primeiro livro. Não escondo que fiquei constrangido por ficar com um livro de meninas, mas é incrível como ainda me lembro da história e das ilustrações. E já se passaram quase trinta anos!

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    quinta-feira, 15 de abril de 2010

    Depois do Fim da Greve

    Greve Professores 2010 374

    O encerramento da greve foi uma das imposições do Governador José Serra para o início das negociações com os professores e mesmo a APEOESP defendeu que essa seria a melhor alternativa. Pois bem, quase uma semana depois do fim da greve, que terminou de forma melancólica, as negociações finalmente começaram, mas o professor que se mobilizou durantre os trinta dias que durou a paralização e amargou o desconto desses dias no holerite não deve alimentar esperanças de que esse sacrifício tenha valido pena. A leitura do documento divulgado pela APEOESP (o Fax nº 41 pode ser lido aqui) dá a entender que as tão esperadas negociações devem se restringir à reposição das aulas e ao parcelamento do desconto dos dias parados. Esses são os únicos pontos em que o Secretário de Educação, Paulo Renato, mostrou alguma boa vontade.
    Sobre os outros temas colocados na mesa só palavras vagas como “o secretário prometeu pensar”. Esse é o caso de uma das principais reivindicações, o fim da duzentena, apelido para a lei que limita à apenas um ano a validade do contrato de professor temporário da categoria O, impondo a ele um prazo de duzentos dias antes que possa voltar a trabalhar na rede estadual de ensino.  Sobre a reposição salarial nem isso, o secretário se limitou a dizer que não tem competência para tratar desse assunto. Nem precisava. Que ele não tem competência os professores já sabem faz tempo.

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    quinta-feira, 8 de abril de 2010

    A Greve Acabou. E Agora?

    Greve dos Professores 4 014-1
    Maria Izabel, a Bebel, Presidente da APEOESP momentos após declarar o fim da greve.
    Hoje, 08 de Abril, dia em que completa um mês, a greve dos professores de São Paulo chegou ao fim. Esse desfecho já era esperado, talvez não para hoje, mas a estratégia do governo do estado de não abrir negociação e, pior ainda , sequer reconhecer publicamente a existênca da greve _ no que contou com o apoio dos meios de comunicação _ foi minando aos poucos a adesão dos professores. O lado financeiro também pesou bastante. Quem faz greve não tem salário, mas as contas precisam ser pagas.
    Se o fim da greve era uma questão de tempo nada justifica o modo como a APEOESP forjou esse resultado. Digo forjou porque estive lá e acompanhei a forma como a votação foi realizada. Um amigo já havia me alertado sobre o que estava por vir, mas não acreditei que houvesse espaço para manipular os votos de uma assembléia formada por milhares trabalhadores. Fui ingênuo.

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    quinta-feira, 1 de abril de 2010

    O Bota Fora do Serra - Já Vai Tarde

    Assembléia 31 de Março 006 1-1Se eu fosse jornalista já teria sido demitido faz tempo. Imagina escrever sobre um fato 24 horas depois dele acontecer? Mas como diz aquele velho ditado popular, antes tarde do que nunca e, como eu não trabalho mesmo para nenhuma redação...
    Ontem, 31 de março, os professores de São Paulo se reuniram em  mais uma Assembléia, a quinta desde o início da greve, para decidirem os rumos da paralização. A concentração voltou a ocorrer no vão livre do MASP, na Avenida Paulista. De lá os professores seguiram em passeata pela rua da Consolação até a Secretaria Estadual de Educação, na Praça da República, onde votaram pela continuidade da greve, que já está na quarta semana.

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    quarta-feira, 31 de março de 2010

    É Preciso Despertar (ou Caminhando com Maiakoviski)

    Cartaz Anistia

    (…)
    Tu sabes,
    conheces melhor do que eu
    a velha história:
    Na primeira noite eles se aproximam
    e roubam uma flor do nosso jardim.
    E não dizemos nada.
    Na segunda noite, já não se escondem:
    pisam as flores,
    matam nosso cão,
    e não dizemos nada.
    Até que um dia,
    o mais frágil deles
    entra sozinho em nossa casa,
    rouba-nos a luz, e,
    conhecendo nosso medo,
    arranca-nos a voz da garganta.
    E já não podemos dizer mais nada.

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    sábado, 27 de março de 2010

    O Modelo Serra de Educação.

    Atualizado em 27/03 às 15:30H002
    Assembléia dos Professores realizada ontem, 26 de março, no Morumbi,  começou como as anteriores. Milhares de professores de todas as regiões do estado de São Paulo foram chegando aos poucos, a pé, em coletivos e nos muitos ônibus fretados vindos do interior. Estes, mais uma vez, foram alvo de arbitrariedades por parte da Polícia Rodoviária, não foram poucos os relatos de professores que tiveram seus ônibus parados nos pedágios sem qualquer explicação ou justificativa. Mas esses incidentes, antes de intimidar, parecem contribuir para aumentar a determinação dos professores que por volta das 16 horas já haviam tomado toda a área em frente ao estádio do Morumbi, convertendo, por algumas horas, o templo do futebol no templo da cidadania. Dezenas de cartazes e faixas expunham as reivindicações, palavras de ordem eram ouvidas por todos os lados, mas tudo de forma alegre e descontraída, apesar da chuva.

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    sábado, 20 de março de 2010

    Imagens da Assembléia do dia 19 de Março.

    Abandonados pelo governo Serra e pela Imprensa, que se faz de surda à suas reivindicações, fingindo que a greve não existe, os professores recorreram às ruas para se fazerem ouvir. Para isso contam com seu principal instrumento de trabalho, a vóz, e com muita, muita criatividade.

    Esses são os professores que Serra despresa e que a mídia ignora. Agora a palavra é deles!

    Professores  19 de Março 043-1

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    terça-feira, 16 de março de 2010

    HQ: Salvando a Escola

    Clique na imagem para vê-la em tamanho maior.

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    segunda-feira, 15 de março de 2010

    Greve: O Que Querem os Professores?

     
    O cartaz acima, pendurado numa das laterais do carro de som que guiou os professores na Assembléia do último dia 12, faz referência ao valor de quatro Reais do vale refeição, o “vale coxinha” , que o estado mais rico da federação paga aos professores. Esse valor irrisório foi adotado como  um dos símbolo da manifestação. Na frente do carro um boneco representando uma coxinha abria passagem para os professores.
    A Asssembléia reuniu mais de 40 mil pessoas*, _ para a PM não passou de 12 mil _  e foi motivo de admiração e orgulho para os professores, mas também de ira para muita gente por conta dos congestionamentos que causou. Mas, afinal, o que querem os professores com essa greve? Diante do silêncio da imprensa, quem ficou preso no trânsito ou teve que ficar com os filhos em casa, quando eles deveriam estar na escola, ficou sem resposta.
    Se manifestações como esta, que mexem com a cidade inteira, são legítimas ou não, deixo para outro post. Por hora vou tentar responder a pergunta acima. Vamos às ela:

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    sábado, 13 de março de 2010

    Imagens da Manifestação dos Professores na Av. Paulista

    Professoras de Rio Claro, que gentilmente posaram para minha câmera, deram um recado à Serra:
    Greve Professores 2010 368
    Os professores paulistas deram um show de mobilização ontem, 12 de Março, nas Avenidas Paulista e Consolação, mostrando que a categoria está unida e disposta a desmascarar as mentiras divulgadas nos meios de comunicação pelo Governador José Serra e pelo seu Secretário de Educação, Paulo Renato, sobre a situação da educação pública no estado de São Paulo. Tanto descaramento merecia uma resposta a altura. Pois aí está ela. Estas são imagens da manifestação que se estendeu até a Praça da República, no centro, onde fica a sede da Secretaria de Educação de São Paulo.

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    sexta-feira, 12 de março de 2010

    A Greve Continua!

    Greve Professores 2010 385
    Hoje eu vou dormir feliz. Feliz e orgulhoso da profissão que escolhi, cujas alegrias e misérias eu compartilho com centenas de milhares de colegas por esse Brasil afora. E já explico porque.
    Como muitos dos leitores que me acompanham neste blog já sabem, sou professor de História na rede estadual de ensino público do estado de São Paulo. Estou na rede a relativamente pouco tempo, quatro anos apenas, mas o suficiente para conhecer, e sentir na pele, a vida difícil que levam aqueles que abraçaram o magistério público _ e não só o público _ como profissão. Embora elas sejam muitas, esta não é uma profissão só de dificuldades. E é bom que se registre. Ter a oportunidade de fazer parte da formação para a vida de tantas crianças, jovens e adultos e de também ser tocado por eles, é muito gratificante. Não fosse pelas alegrias que tiramos da nossa convivência com os alunos, creio que muitos professores já teriam abandonado o magistério para seguir outra profissão em que fossem mais valorizado. Infelizmente não são poucos os que o fazem.

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    segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

    O Enrola e Desenrola da Atribuição de Aulas Em S. Paulo

    Placas de Transito do Brasil

    Mais uma vez o processo de atribuição de aulas para as escolas estaduais de São Paulo foi marcado por confusões, reviravoltas e incertezas quanto ao início das aulas.
    Essa novela teve início no final de 2008 quando a Secretaria de Educação de São Paulo decidiu mudar as regras para a contratação dos professores temporários, que hoje, pela falta de concursos públicos, correspondem a mais de 40% do total dos professores da rede pública paulista. Para isso Instituiu um processo de seleção baseado na aplicação de uma prova aos candidatos. Até então o critério para a contratação e a escolha das aulas era o tempo de serviço, ou a quantidade de aulas dadas ao longo da carreira. Quanto mais tempo na rede, melhor a classificação para escolher as aulas. Pela nova regra seria a nota da prova, e não o tempo de serviço, que contaria pontos para a classificação.  A prova chegou a ser realizada, mas como não havia previsão legal para sua aplicação o sindicato dos professores do estado, a APEOESP, conseguiu sua anulação na justiça.

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    domingo, 21 de junho de 2009

    Na Escola

    Capitalismo x Socialismo Na última quinta-feira fui convidado a assistir a um debate entre alunos do 3º ano do Ensino Médio sobre Capitalismo e Socialismo. O debate, quase um julgamento, foi uma iniciativa da professora de Português, que propôs a divisão da classe em duas turmas, cada lado defendendo o sistema econômico que considerassem o melhor.

    Cheguei na metade da aula, num momento de discussões inflamadas. A regra era não interferir, para não beneficiar nem prejudicar um ou outro grupo. Os “defensores do Capitalismo” aproveitaram muito bem os argumentos a seu favor. O mérito foi um deles, quem se esforça garantiria seu lugar ao Sol. Outro foi a competição, algo inerente ao sistema capitalista, motor do progresso tecnológico que resultaria em mais conforto e bem estar para as pessoas, além de novos produtos e serviços que, com a concorrência, ficariam cada vez melhores e mais baratos. A inovação e o desenvolvimento resultariam em mais empregos. A liberdade foi outro argumento bem explorado pelo lado capitalista. Liberdade de escolher entre vários produtos, de escolher a própria profissão, liberdade de ir e vir, de dizer o que pensa. As experiências socialistas do século XX, como a Coréia do Norte, Cuba e China, foram utilizadas contra o lado "socialista".

    Do lado “Socialista” os argumentos mais explorados foram a distribuição de renda e os investimentos na área social, principalmente em educação e saúde. As desigualdades provocadas pelo capitalismo, que exclui parcela importante da população dos “benefícios” apontados por seus “defensores”, foi outro ponto reforçado por eles.

    Durante as discussões pude perceber o quanto é fácil defender o Capitalismo e o quanto é difícil desnudar suas contradições. Apesar dos “socialistas” terem demonstrado maior conhecimento sobre o tema, em vários momentos os “Capitalistas” os deixaram sem argumentos, como quando recorreram à evolução da internet, dos celulares, da variedade de produtos e empregos para demonstrar a superioridade desse sistema.

    Para os dois grupos faltou preparação. Com um pouco mais de conhecimento seria possível desmontar a maioria dos argumentos utilizados por cada lado, mas isso não foi culpa deles. No geral o debate foi bom.

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    domingo, 12 de abril de 2009

    Entre os Muros da Escola

    O sinal toca numa escola pública da periferia de Paris anunciando o início da aula. Os alunos entram na classe gritando, ouvindo música nos celulares, arrastando carteiras, brigando. O professor espera, pede silêncio, enquanto seus alunos retribuem com “cala a boca você; vai se f….
    Assim começa “Entre os Muros da escola", adaptado do livro de François Bégaudeau, um professor de Francês que interpreta a si próprio no filme (trailer) vencedor da Palma de Ouro e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
    O longa retrata as dificuldades enfrentadas por professores franceses na educação de alunos pobres, imigrantes ou filhos de imigrantes, numa sociedade que não consegue, ou nem quer, integrá-los à ela. Apesar de retratar uma realidade diferente, há muito em comum com as escolas públicas brasileiras. O interessante é que os professores do filme não são idealizados, como costumam ser em filmes do gênero, mas pessoas comuns, cuja paciência também tem limites e que, por mais dedicados que sejam, são o inimigo público número um.

    O filme me deixou algumas perguntas: Deve-se abrir mão do conteúdo curricular em favor daquilo que realmente interessa aos alunos? Como conviver com atos de indiciplina sem tornar a aula inviável? E por que o ensino para aqueles que mais precisam dele para vencerem a pobreza é tão difícil? Estas são as minhas, quem se propuser a assistir ao filme certamente deixara a sala de exibição com outras.

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    sexta-feira, 27 de março de 2009

    Secretária de Serra Pede Demisão.

    Maria Helena

    Essa é uma daquelas notícias que precisam ser comemoradas no fim de semana, pelo menos entre os professores da Rede Paulista de Ensino. A secretária de educação do estado, Maria Helena Guimarães de Castro, acaba de entregar seu pedido de demissão. Coincidência ou não, sua saída acontece no mesmo dia em que os professores do estado se reúnem em assembléia para exigir, entre outras reivindicações por melhores condições de trabalho, a demissão da Secretária. A divulgação de erros sérios em livros didáticos elaborados pela Secretaria também deve ter pesado.

    Desde que assumiu o cargo, Maria Helena vem comprando brigas com os professores, a maioria delas provocadas pela maneira autoritária com que suas decisões são impostas à categoria e pela sua convicção de que é possível melhorar a qualidade de ensino sem valorizar o professor, uma ideia que não é só dela, mas também é compartilhada pelo governador José Serra. Não existe diálogo entre ela e os professores. O resultado dessa política é a precariedade das condições de trabalho. Quase metade (47%) dos professores do estado são “temporários”. Não tem as vantagens do serviço público, como estabilidade de emprego, nem os benefícios da iniciativa privada, como como vale transporte, FGTS e seguro desemprego. Pior ainda é a situação de dezenas de milhares de professores “eventuais”, que não tem direito nem mesmo à férias e descanso semanal remunerado. Um terço de todos os professores temporários do Brasil estão em São Paulo.

    O novo Secrétário será o ex-ministro da Educação no Governo FHC, Paulo Renato Souza. Comemorar a saída de Maria Helena está valendo, mas não dá para comemorar a entrada de Paulo Renato. Esperamos que o relacionamento entre a secretaria e os professores melhore com ele, mas quanto as suas idéias, será trocar seis por meia dúzia.

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    quinta-feira, 26 de março de 2009

    Serra e a Lei da Mordaça

    No dia 31 de Março, o Golpe Militar completa 45 anos. Oficialmente o regime terminou em 1985, mas alguns resquícios continuam assombrando a nossa democracia. Um deles é o Estatuto dos Servidores Públicos Civis, conhecido como "Lei da Mordaça", adotado pela maioria dos estados e municípios brasileiros, que proíbe o servidor público de fazer críticas públicas ao governo sob pena de exoneração, ou seja, ser demitido à bem do serviço público. No estado de São Paulo esta proibição consta do artigo 242 do Estatuto.
    Uma das promessas de José Serra durante a campanha para o governo de São Paulo era revogar esse artigo, mas no início deste ano o governador vetou o projeto de lei complementar n° 81/2007, que revogava o artigo 242. Segundo o governo, o veto cumpriu o que determina a constituição do estado, que apenas o executivo deve legislar sobre os servidores públicos. Um novo projeto, nos mesmos termos, deve ser encaminhado à câmera para apreciação dos deputados, mas sua aprovação pode levar meses ou até anos.
    O revogação da Lei da Mordaça por São Paulo era aguardado com entusiasmo, pois serviria como incentivo para iniciativas semelhantes em outras unidades da Federação. Com o veto, os servidores públicos do estado continuam sem direito a liberdade de Expressão.

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    sábado, 14 de fevereiro de 2009

    Escola: Lugar de Ciência

    "É interessante contemplar uma encosta confusamente entrelaçada, revestida por diversas plantas de diversos tipos, com pássaros cantando nos arbustos, com vários insetos voando, e com minhocas rastejando na terra úmida, e pensar que essas formas elaboradamente construídas... foram todas produzidas por leis agindo à nossa volta...
    Há uma grandeza nessa visão da vida, [...] havendo sido originalmente insuflados em algumas poucas formas ou em uma só; e que, enquanto este planeta esteve revolucionando de acordo com a fixa lei da gravidade, a partir de um início tão simples, infinitas formas, as mais belas e mais maravilhosas, evoluíram e continuam evoluindo." Charles Darwin "A Origem das espécies"
    A publicação da Teoria da Evolução das Espécies, formulada por Darwin, completa 150 anos, ainda pouco compreendida e mesmo combatida por muita gente.
    Eu fui apresentado às idéias de Darwin na 5ª série por uma professora de Ciências chamada Filomena, a quem sou grato até hoje. Graças a ela a teoria da Evolução me foi apresentada sem causar conflitos existenciais ou religiosos. Mas essa não é a regra.
    Ciência e religião estão permanentemente em conflito e existe uma idéia crescente em muitas escolas de que a Teoria da Evolução e o Criacionismo devem ser ensinados sem que o professor dê maior ênfase a uma em detrimento da outra, deixando aos alunos a liberdade de optarem por aquela que seja mais coerente com a sua formação familiar e religiosa. Hoje, o Criacionismo está presente em vários livros didáticos, na maioria adotados por escolas confessionais, mas que também são utilizados como "guia" por professores da rede pública.
    Eu tenho muitas ressalvas a este tipo de ensino, pois considero que a educação moral e religiosa deve ser função da família e das igrejas, deixando para a escola a atribuição de ensinar ética e ciência _ humanas, exatas e biológicas, de forma que eles compreendam o processo de produção científica e a elaboração de teorias. A religião é o reino da verdade e das respostas, onde a crítica e a dúvida são os inimigos do rei. A Ciência, ao contrário, é o reino das perguntas, do pensamento crítico e da curiosidade, onde a dúvida, como diria Aristóteles, é o princípio da sabedoria e não a inimiga da verdade. E a escola, o reino da curiosidade e da produção de saber, combina mais com esta última.

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    segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

    Caos na Educação: Cenas do Último Capítulo

    A novela paulista em que se tornou o processo de atribuição de aulas para os professores da rede pública de ensino finalmente chegou ao fim. E novela é um bom termo, não apenas pelos dramas protagonizados pelos seus milhares de personagens ou pelo suspense experimentado em seus capítulos, mas principalmente porque novela é uma palavra emprestada do Francês, mas que tem origem comum com a palavra novelo. Quem costura, borda ou tricota _ e quem empina pipa também, claro! _ sabe que um novelo de linha, lã ou barbante é composto por fios que se enrolam e desenrolam. Obras de ficção costumam ser "novelos" que se desenrolam ao longo da trama, já a novela da educação pública paulista, que não é obra de ficção, embora pareça, enrolou-se cada vez mais até se tornar um emaranhado de nós difíceis de desatar. Tanto que a própria Secretaria de Educação do estado deu-se por vencida.
    As atribuições serão feitas pelo critério antigo, desconsiderando a nota da prova. Vence o sindicato, os professores com maior tempo de "casa" e que não foram bem na prova, e mais ninguém. Perdem os professores comprometidos com a profissão, sejam eles antigos na rede ou novos de casa, os alunos do sistema público de ensino e a sociedade em geral.
    O governo? Não, esse não perde nada, pois não levou a correção da prova, imposta por ele mesmo, e a classificação dos docentes tão a sério quanto deveria, deixando passar erros que prejudicaram muitos professores, dando força aos argumentos da APEOESP. Seu interesse parece estar apenas em maquiar números e em impor programas curriculares sem o suporte necessário para sua aplicação. Se houvesse interesse verdadeiro de sua parte em selecionar os melhores professores abriria concurso público, tornando a contratação temporária uma exceção dentro do sistema e não a regra, como é hoje.
    É o fim de uma novela, não sei se com final feliz...

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