Segunda-Feira de Carnaval!
_ Eu sei, meu bem, é segunda-feira de carnaval. Mas você sabe como é aqui na empresa, o chefe adora tirar o coro da gente.
_ É, é um absurdo, sim, mas fazer o que, querida? Eu preciso fazer uma média com o chefe pra conseguir um adiantamento nas férias pra gente fazer aquele cruzeiro que você tanto quer, lembra? Eu sei o quanto é importante pra você; e se é importante pra você é importante pra mim.
_ Ô, meu amor, eu também te amo. Mas é só essa noite. E vai ser uma noite tão chata, jantar com esses estrangeiros e depois ficar levando cada um pro seu hotel... E são todos protestantes. Essa gente detesta carnaval!
_ A que horas eu chego? Não, acho que meia-noite a gente ainda vai estar no restaurante. Jantar de negócios, você sabe...
_ Eu não tenho culpa, querida! O chefe me escalou e você sabe que eu não posso dizer não pra ele. Cruzeiro no Caribe, lembra?
_ Uma e meia? Hum, não sei... Tenho que deixa-los no hotel e cada um está num hotel diferente. E depois eu ainda preciso levar alguns documentos de volta para a empresa._ Taxi? Eu não posso deixar eles irem de taxi, nenhum deles conhece a cidade. Vai que acontece alguma coisa? Adeus Caribe!
_ Não, meu amor, não tem mulher nenhuma, só uns velhos. Gente conservadora, de costumes rígidos. Ia pegar muito mal deixar eles irem de taxi.
_ Duas horas? Hum... Três!
_ Pode ser que eu chegue até antes... Não precisa gritar!
_ Você sabe que eu te amo. É só esta noite. Eu deixo eles nos hoteis, passo no escritório, e volto pra casa imediatamente!
_ Se eu tenho certeza que não consigo chegar antes das três? Vai ser difícil...
_ Ô, meu amorzinho! Eu também tô com tanta saudade...
_ Isso, às três! E Olha, pode ir dormir. Não precisa me esperar, não, viu amor? Vou rodar a cidade inteira com esses caras. Já fico cansado só de imaginar...
_ Eu sabia que você ia entender, por isso que eu te amo tanto!
_ Pode deixar que eu tomo cuidado sim. Vou chegar inteirinho pra você amor da minha vida!
_ Um beijo, meu docinho! Até amanhã! Beijo!
_ E aí? Conseguiu?
_ Pô, cara! Foi mais fácil do que eu imaginava. A visita desses alemães veio bem a calhar.
_ Então vamos! A Carla e a Bruninha já estão esperando a gente. E a Bruninha tá fantasiada de gatinha, perninhas de fora... Que pernas!
_ Então vamos, cadê a minha fantasia? Tá com você?
_ Tá, tá aqui! _ Escuta... Ela nem desconfiou?
_ A Telma? Põe a mão no fogo por mim se precisar. Tenho ela aqui, ó; na minha mão!
_ Ó o cara, aí! Vamos logo!
_ E aí? Ele volta cêdo?
_ Que nada, vai jantar com uns sócios estrangeiros, coisas da empresa dele.
_ Hum, então a gente vai poder ficar a vontade por mais tempo. Eu tô com um fogo que você nem imagina! A gente só se vê quando seu marido trabalha até mais tarde...
_Cê tá com fogo, é meu garanhão? Então a gente vai incendiar esse apartamento, por que eu também tô ardendo!
_ Vem cá, gostosa, eu não vim aqui pra perder tempo...
_ Hum... Eu adoro quando você me pega desse jeito! Mas vai com calma, gostosão, cuidado pra não deixar marca! Fica tranquilo que ele não vai chegar antes das três.
_ Tá falando sério? Ele só volta depois das três?
_ Tá achando muito, é? Você não disse que queria ficar comigo a noite toda?
_ Claro que eu quero, minha popozuda! Acho até pouco, sabia? Mas não era só um jantar?
_ É um jantar de negócios, depois ele ainda vai levar os estrangeiros pro hotel e ainda voltar pro escritório.
_ Mas você não fica desconfiada? Quero dizer, jantar de negócios que vai até as três da madrugada? E numa segunda de carnaval?
_ Não bobinho. O Carlos não sabe mentir e depois, ele só vive pra mim e pro trabalho. Tenho ele aqui, ó; na minha mão!
_ Então vem logo, cachorrona! Assim, mas não morde, não!
_ Auh!
