Desde 1963, o dia 15 de Outubro foi definido como Dia do Professor. A data deveria marcar o reconhecimento da sociedade brasileira à importância desse profissional para o desenvolvimento do país. Naquela época o professor era mais respeitado, afinal era o detentor do conhecimento, mas o tempo passou, a sociedade mudou e hoje a profissão está em crise.
Crise aqui não significa decadência, mas mudanças de valores que ainda não foram bem assimiladas por todos os atores sociais e que não são necessariamente ruins _ ou necessariamente boas. Algumas transformações eram inevitáveis. As tecnologias da informação, sobretudo a partir dos anos 90, tiraram do professor a aura de detentor do conhecimento e, junto com ela, a autoridade moral do mestre também se foi. O mesmo aconteceu com outras profissões e com papeis sociais já consolidados no imaginário coletivo.
A charge acima ilustra bem as mudanças. Se antes os pais ficavam ao lado do professor na hora de cobrar melhores notas do filho, agora quem é cobrado é o professor. É ele quem deve cuidar para que suas aulas sejam interessantes para todos os alunos. Já não é mais suficiente dominar os conteúdos que ensina, mas toda a dinâmica didática necessária para que seu aluno aprenda. Espera-se também que ele acompanhe as atualizações na sua área de conhecimento e que esteja por dentro das teorias pedagógicas do momento. Ao mesmo tempo a autoridade do professor, no sentido tradicional, perdeu legitimidade. A ideia de que o professor é um superior hierárquico dentro da sala de aula não existe mais.
A estrutura escolar não acompanhou essas transformações e os sistemas de ensino, além de não darem respaldo aos professores para que influíssem neste processo, ainda atribuíram à eles toda a responsabilidade pelo fracasso escolar, como se as políticas públicas que colocam a educação entre suas últimas prioridades não tivessem nada a ver com isso.
Como conciliar as novas exigências impostas à profissão com as novas limitações também impostas à ela? Não se trata de concordar ou não com essas mudanças, elas estão ai. Cabe aos professores se organizarem na luta pela valorização da profissão e cabe à sociedade definir, não só o papel que o professor deve desempenhar dentro dela, mas quais recursos serão necessários para que ele cumpra efetivamente esse papel. Os valores mudaram, mas a importância do professor não diminuiu. Ainda não é possível construir um país soberano, de cidadãos livres, capazes de conquistar a própria felicidade, sem professores.
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